Num momento em que estamos mais sentimentais, gostaria de compartilhar uma história que presenciei no ano 2000, em Erechim, há mais de 21 anos. Por conta do meu trabalho na época, dando os primeiros passos no jornalismo, mas trabalhando como assessor de imprensa, visitava algumas casas em bairros mais humildes, quando uma mulher, com uma criança no colo e mais uns quatro filhos pequenos se dirigiu até mim, com olhar triste e me pediu se eu poderia conseguir para ela uma ratoeira.
Um soco no estômago
Achei estranho o pedido e lhe indaguei: “Invés da ratoeira, a senhora não gostaria de veneno para rato?
A sua resposta foi um soco no estômago: “temos pouca comida aqui, chegamos até passar fome às vezes, e tenho medo que meus filhos comam o veneno para rato”.
Estático por alguns segundos
Fiquei estático por alguns segundos e não sabia que reação tomar naquele momento. Um choque de realidade tão próximo de todos. O verdadeiro Brasil e suas discrepâncias, suas desigualdades: poucos com muito e muitos com pouco.
Olhei para ela, com um nó na garganta, e disse que voltaria no dia seguinte. Fui até o mercado e comprei alimentos variados, alguns doces e também consegui uma ratoeira.
A mercê das armadilhas da vida
Quando lá cheguei, estavam ao redor de uma mesinha de madeira, repartindo um pão, e os olhos das crianças brilharam com os doces. Foi um momento de paz para mim, mas em seguida, veio a inquietude: “qual será o futuro dessas crianças, à mercê das armadilhas da vida?”.
Mais amplitude e menos julgamento
Se olharmos ao nosso redor, com um pouco mais de amplitude, com menos julgamentos, além de nossos umbigos, veremos que em muitas vezes, nossos problemas são tão pequenos.