A posse do cotegipense Alsones Balestrin como secretário estadual de Inovação, Ciência e Tecnologia, às 11h30min desta quarta-feira, 19, em POA, abre uma porta para que Erechim e o Alto Uruguai, de fato, passem a olhar ‘empreendedorismo e inovação’ com outros (e mais argutos) olhos.
Se é verdade que temos algumas (poucas) iniciativas e empresas locais com expertise no setor, na média, estamos pra lá de atrasados (governos, universidades, iniciativa privada, sociedade, jornalistas).
Em entrevista ao Bom Dia, o próprio Balestrin – que traz no currículo dupla titulação de doutor e outras especializações na área (Brasil, França e Canadá), além de ter sido pró-reitor Acadêmico da Unisinos (2017-22) – explica os caminhos que podem/devem ser seguidos.
Segundo ele, o primeiro passo seria a constituição de um ecossistema regional de inovação, preocupado em estabelecer linhas de atuação (foco/identidade), qualificando pessoas, equipes e processos, a fim de manter ‘cérebros’ (diminuindo a evasão de talentos) e promover a economia colaborativa (aproximando diferentes atores, de pequenas empresas até organizações consolidadas e o ente público). Exemplos já existem, e perto de nós: Pacto Alegre, em POA; Hélice, em Caxias do Sul; e Rede da Inovação, em Passo Fundo.
“Inovação não diz respeito apenas à internet, celulares e computadores. Inovar é repensar o jeito de fazer as coisas para acompanhar a dinâmica que o mundo exige visando oferecer qualidade de vida às pessoas”, explica o novo secretário de Estado. Balestrin, contudo, observa que o caminho é longo. “As coisas não mudam de um dia para o outro. É preciso a constituição de entendimento regional capaz de canalizar energias, indo além do tempo de duração do governo A ou B”, sustenta.
# À coluna, o reitor da URI Arnaldo Nogaro endossa o entendimento de que é hora de formar/reforçar o ecossistema local, e garante que a Universidade (onde o próprio Balestrin se formou em Ciências Contábeis e atuou como professor) é parceira na iniciativa. Semelhante posicionamento tem o diretor do Instituto Federal (IFRS), Eduardo Angonesi Predebon, coordenador do Comitê Estratégico do INOVA RS da Região Norte e Produção, e o diretor geral da UFSS, Luís Fernando da Silva – que defende a ideia de inovação preocupada com a ‘tecnologia e o social’. O trio, ao lado do prefeito de Erechim e presidente da AMAU, Paulo Polis, e outras lideranças, deve participar em breve de agenda com Balestrin para discutir o tema.
# Em tempo: Na região, de acordo com Eduardo Angonesi Predebon, algumas instituições planejam parques tecnológicos, um sonho antigo da URI, por exemplo. Além disso, o IFRS estaria tentando editais para financiar laboratórios maker e espaços empreendedores e de coworking.