A história do jovem Weslei Pigatto Molinari, de 20 anos, mostra como mesmo diante das adversidades da vida é possível vencê-la. O erechinense nasceu na mesma data em que ocorreram os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, série de ataques suicidas contra os Estados Unidos coordenados pela organização fundamentalista islâmica Al- -Qaeda: dia da queda das Torres Gêmeas.
“Mais um motivo para vencer”
Ele teve paralisia cerebral por ter nascido com o cordão umbilical enrolado no pescoço, o que afetou a parte motora e difi cultou a mobilidade para conseguir caminhar. Com o acompanhamento médico, atualmente utiliza muleta. Mas, dos quatro aos 14 anos, precisou fazer o uso de andador. “Para mim sempre foi mais um motivo para lutar e querer alcançar meus objetivos, vencer e mostrar potencial”, pontua.
Inspiração de berço
Engana-se quem pensa que esta “limitação” tirou a esperança de Weslei para ter uma vida “normal”. Filho de um Sargento na Brigada Militar e de uma autônoma, cursa o 5º semestre de Jornalismo na Universidade de Passo Fundo e estagia na Comunicação da Prefeitura de Erechim. Há cerca de um ano, participa como comentarista esportivo no programa Virando o Jogo, na TV Bom Dia.
Uma das maiores inspirações dele está “em casa”, vem de berço: o pai Gilmar Molinari, tem 53 anos e é natural da cidade de Passo Fundo. Serviu as Forças do Exército entre 03/02/1986 e 06/10/1991. Um dia depois de deixar o Exército entrou para a Brigada Militar como aluno com período de formação de nove meses.
Segurança do vice-governador
Após 90 dias, atuando no policiamento ostensivo pós- -formatura, foi transferido para a Tropa De Choque da BM, atuando em situações de tensão. Somente depois de 10 anos, em 2001, teve um período de atuação no Presídio Central, hoje a Cadeia Pública de Porto Alegre. Retornou sete anos após, para integrar o Batalhão de Operações Especiais e em 2016 integrou os Serviços da Polícia Ambiental em Erechim, onde fi cou até outubro de 2020. Desde então, o pai de Weslei integra a Secretaria de Segurança Pública do RS, na equipe de segurança do vice-governador do Estado Gaúcho, Ranolfo Vieira Jr.
Medalhas por bons serviços
Em 2013 foi promovido a 3º sargento, ao fi nal do ano de 2021 finalizou o curso de formação e posterior promoção a 2º sargento, recebeu reconhecimentos de serviços prestados à sociedade em 10, 20, e 30 anos, com a entrega de medalhas por bons serviços. Atualmente, Gilmar permanece na capital gaúcha.
Convicção pessoal
Vislumbrando toda a trajetória do pai, o jovem tem a ideia de integrar às Forças de Segurança, essencialmente à Polícia Civil, no cargo de Escrivão. Começou a estudar para o referido concurso em abril de 2020, por confi ar que a grande motivação nesse quesito é a convicção pessoal da qual se faz muito presente em sua vida, e por acreditar ser capaz de fazer parte de uma geração de policiais comprometidos com a população inserida dentro de diferentes cenários.
Chimarrão nas madrugadas
Um plano de estudos o acompanha há alguns meses, sempre focando em ter o tempo como aliado. Além disso, o chimarrão é amigo em algumas madrugadas para levar o objetivo adiante. Porém, algumas interrupções são feitas em virtude de situações necessárias. “Mas a paralisação total do processo nunca foi uma opção. Sempre respeitei muito as ações de segurança, sejam elas em âmbito regional, estadual ou nacional, conhecendo o real valor de disciplina e hierarquia passadas até hoje no meu dia a dia pela família”.
Amigos que também inspiram
O futuro jornalista tem amigos que fazem essa trajetória de concurso. Conta que a inspiração fica por conta daqueles que, para ele, representam o interesse da pessoa de bem, tendo a oportunidade de conhecer algumas de perto e com a certeza que as instruções de ordem sempre vão estar próximas dele.
Qualidade da informação
Para ele, a grande motivação para se manter forte no Jornalismo, é a convicção pessoal no modelo de profissão que idealiza, priorizando sempre a qualidade da informação. Anseios no momento passam pelo aprendizado e pela experiência de entrada no mercado de trabalho. Acredita que a gente começa a enxergar o mundo com um realismo mais afirmado, o que de maneira nenhuma pode impedir a busca e manutenção daquilo que acredita.
Direito pós-Jornalismo
Na vida do estudante, o apoio sempre existiu. Desde pequeno aprendeu que a primeira pessoa a confiar nas decisões é ele mesmo, pois sempre houve muita segurança quanto à escolha do curso, e tem a certeza de que terá o apoio da família e amigos em suas decisões futuras. Mas ele não é do tipo de pessoa que gosta de se acomodar, ou seja, ficar na zona de conforto. A ideia após a graduação em Jornalismo é iniciar a graduação na área do Direito. “Há dois anos eu não diria que esse cenário estivesse presente, mas hoje é como uma realidade se enxergar no Direito pós- -Jornalismo”, projeta.
“Garantir a paz”
Por acreditar que a motivação sempre existiu, talvez tenha sido retomada com mais força acerca de um ano a vontade de ser policial, quando decidiu colaborar com as Forças de Segurança. Sem especificar, mesmo sendo em áreas mais ligadas ao setor interno, sempre esteve perto de conhecedores de uma realidade que fica sob a responsabilidade daqueles que precisam garantir a paz: os policiais.
Para quem pretende mudar de carreira, ou se desafiar, deixa um conselho. “Acho que antes de tudo é fundamental saber onde se quer chegar é preciso ter paciência e acompanhar as ações da instituição que buscas conhecer o chão onde quer pisar nada na vida vem de graça é um preço que precisa ser pago o sucesso depende do método do caminho”, finaliza.