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Obra de Arte: ‘Erechinense de coração’ constrói caravela usando palitos de fósforo

Trabalho pelas mãos do artista Italiano, que mora desde 1977 em Erechim, levou 25 anos para ficar pronto

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Alberto Tamborino, 84 anos, ao lado de sua obra
Caravela impressiona pela quantidade detalhes
Por Leandro Zanotto
Foto Leandro Zanotto

O carisma e a força de vontade do italiano, Alberto Vitor Antônio Tamborino, de 84 anos, que mora em Erechim desde 1977, ganhou forma nas últimas duas décadas e meia através de uma grande obra de arte. Com apenas palitos de fósforo queimados e cola o artista construiu a miniatura de uma grande caravela.

O barco, que tem 1,72 metros largura por 1,63 de altura e 53 centímetros de largura, está na fase de finalização com análise do construtor para colocação das velas.  “Foram apenas palitos e cola. Um trabalho que fazia sempre nas minhas horas de folga. Não tenho ideia de quantos foram, mas são milhões. Agora meu desejo é que o mundo conheça essa obra de arte”, destacou.

 

Atena

De perto, o barco imponente impressiona pela quantidade de detalhes, todos feitos com palitos, desde portas, cadeiras e até mesmo o timão, usado para conduzir os navios.  O nome Atena está na lateral, junto com a imagem da deusa grega da sabedoria na parte da proa. “Inicialmente era Júlia, nome da minha filha, mas depois decidi colocar Atena porque ela me concedeu a inspiração para o projeto”, explica.

 

História

Nascido em Ápulia, no sul da Itália, Alberto, acompanhado dos pais e irmãos, veio para a América do Sul com 16 anos, após o fim da 2° Guerra Mundial. A família se estabeleceu em Buenos Aires, capital da Argentina, mas decidiu conhecer o Brasil e fixou residência em Erechim, cidade de seu coração, onde construiu uma carreira de sucesso na área comercial.

 

Trabalho com madeira

A paixão pelos trabalhos em madeira teve início em 1996. “Eu tinha um cachorro, que acabei entregando para outra família cuidar, mas senti falta, tentei trazê-lo de volta, mas tinha fugido. Aquilo me deixou triste, então havia uma árvore próxima de casa, eu vi o rosto dele no tronco e comecei a esculpir na madeira até ficar perfeito, depois foram outras imagens na mesma árvore e assim teve início a minha paixão por trabalhar com madeira”, comenta.

 

Um presente de criança

Tamborino conta que a construção da caravela, começou no acaso. “Muitas crianças visitavam minha casa para brincar com os cachorros, fazíamos uma festa. Um dia eu queria dar como presente para elas um pequeno barquinho de madeira. Peguei uma caixa de fósforos, queimei todos e com um pouco de cola comecei a montar, mas de repente percebi que podia fazer um projeto maior e segui queimando palitos e colocando. Por várias vezes refiz algumas partes até ficar perfeito como estava em meu pensamento”, relatou.

 

A construção

Para deixar a obra perfeita, exatamente como em seu pensamento o artista levou 25 anos. “Eu viajava muito a trabalho e quando chegava em casa, trabalhar no barco era como uma terapia, tirava todas as minhas tristezas e angustias. Começava durante a tarde e terminava muitas vezes de madrugada, quando minha mulher pedia para que eu fosse descansar”, conta sorridente.

 

Desejo para o futuro

O maior desejo do artista é que o barco, após pronto, seja exposto e admirado pelas pessoas. “Ainda não sei onde vou colocá-lo, mas se alguém quiser expor vou ficar muito feliz. Porque o fiz para que possam ver que não existe coisas impossíveis. Viajei muito pelo mundo e nunca encontrei nada igual, acredito que seja um recorde construir algo com tantos palitos de fósforo. Além disso este barco não é uma cópia, é algo original que veio do meu pensamento. É único”, finalizou.

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