Já dizia Fernando Pessoa: “Segue o teu destino, rega as tuas plantas, ama as tuas rosas. O resto é a sombra de árvores alheias”. O fato é que, seja dentro de casa ou no quintal, o contato com as plantas pode representar múltiplos benefícios para a saúde e o bem-estar. A própria pandemia intensificou esse hábito de cuidar de flores, árvores frutíferas, chás, entre outras espécies, no dia a dia de muitas pessoas.
A observação é do paisagista de Erechim, Maicon Flores Dornelles, que atua no ramo há 16 anos. Segundo ele, em razão de períodos de isolamento, algumas famílias perceberam a necessidade de melhorar os espaços ou, ainda, se aproximar de ambientes mais saudáveis, estreitar o caminho com a natureza e criar um passatempo.
“É possível criar muitas possibilidades de plantio de temperos e chás em vasos. Entre as plantas que se adaptam mais facilmente está o manjericão, a salsinha, a cebolinha, o tomilho, as verduras, morangos, entre outras. Muitas vezes não é pela quantidade de produtos mas pelo prazer de efetuar a colheita na própria casa, sem agrotóxicos”, assinala o especialista.
Independentemente do objetivo - terapêutico ou decorativo – o que nem todos levam em conta, é que, muito além de gostar, as plantas exigem cuidados específicos para que se mantenham belas e saudáveis. A poda, a limpeza e a adubação estão entre os pontos fundamentais. “No período do verão deve ser focada uma atenção especial para evitar problemas”, orienta, citando a importância da água e luz solar adequada para manter as espécies belas e saudáveis.
O paisagista destaca que, comumente é observado que muitas pessoas deixam para molhar as plantas à noite, o que não é indicado. “Nesse turno, a temperatura está mais baixa, há mais umidade no ar e não há presença do sol. A planta precisa de água entre às 10h e 14h. Com isso, muitos fungos surgem a partir desse acúmulo de água. O ideal é sempre irrigar no início da manhã e desse modo a planta vai passar o dia inteiro nutrida”, explica Maicon ao mencionar que, no caso das plantas internas, é preciso adequar a quantidade de água às estações do ano, levando em conta que algumas necessitam um volume mais expressivo, conforme a drenagem da terra.
Já em relação às mudas frutíferas, por exemplo, que muitas pessoas cultivam em chácaras, no verão não é aconselhável fazer o plantio. “Os gramados necessitam de água no período de 20 dias após o plantio. Vale ressaltar que na impossibilidade de um contato diário com essas áreas, a dica é aguardar uma fase mais chuvosa para auxiliar no desenvolvimento”, orienta.
As ‘flores da estação’
Entre as flores mais comuns do verão estão as tagetes, vinca (cultivadas também em canteiros públicos), as quais necessitam de mais água para resistir. O Pau d'água e as bromélias, por exemplo, não exigem muito esse cuidado.
Já as orquídeas, gerânios, jasmins, dipladenias e Três Marias, que tradicionalmente não gostam de excesso de água, no verão é preciso redobrar a atenção.
De acordo com o paisagista, é preciso lembrar que há plantas de sol, outras de meia sombra e, também, de sombra. No momento da compra deve ser considerado o espaço e as condições para recebê-las.
Não esqueça dos cuidados!
Para quem vai viajar, fique atento: não esqueça das plantas e se possível, deixe uma pessoa sob aviso para molhá-las ou instale um sistema de gotejamento automatizado. “Hoje em dia já existem ferramentas que permitem o controle via aplicativo de celular”, acrescenta Maicon.
Crescimento nas vendas
Maicon está otimista com o crescimento do setor, sendo que percebeu um aumento na procura pelos serviços durante a pandemia. “Muitas pessoas optaram por organizar uma horta, cuidar de uma árvore frutífera na sacada, uma planta na sala ou fazer uma reforma de jardim. Nos mantemos em constante atualização, buscando inovações para contemplar a todos”, ressaltou.
Durante a entrevista, o empresário relata que no passado havia apenas uma loja virtual voltada ao paisagismo e hoje, a estrutura física, que abriga inúmeras espécies, está sendo ampliada. No local é possível encontrar uma variedade significativa de plantas ornamentais e mudas nativas, além de outras que fogem do padrão, a exemplo da palmeira que pode ser adquirida nos tamanhos menores ou até de 5,5 metros.
Os produtos são revendidos após aquisição no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, entre outras regiões.