Na próxima quarta-feira (20), às 14h, no Auditório do Bloco B da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), campus de Erechim, será lançado o Observatório Regional de Economia, Energia e Meio Ambiente (Regional Observatory of Economy, Energy and Environment – ROEEE). Em conversa com a reportagem do Bom Dia, o coordenador, José Martins dos Santos, destaca a importância da proposta que já funciona regularmente e busca envolver ainda mais os diferentes setores da sociedade.
Segundo o professor, há dois tipos de estruturação, sendo a primeira, institucional, conforme a política de extensão da UFFS e a segunda, material e operacional. Ambas já foram vencidas e o ROEEE está institucionalizado nos marcos da política de extensão, e também, em termos materiais e operacionais. “Estruturamos um site disponível na página da UFFS Campus Erechim para hospedagem dos dados e produtos. Também há dois bolsistas para coleta de dados e prospecção de indicadores, proporcionado assim, excelente oportunidade para integração, ensino, pesquisa, extensão e cultura nos cursos ofertados pela universidade”, relata José.
A criação do Observatório
O coordenador explica que a motivação para o ROEEE surgiu dos principais desafios da humanidade em reconhecer estratégias de crescimento sustentável que equilibrem o progresso econômico e social com a preservação ambiental. “A sistematização de dados secundários para a produção de indicadores regionais subsidiará, eventualmente, essa perspectiva, assim como a formação e a avaliação de políticas climáticas e de desenvolvimento sustentável. A proposta consiste em produzir boletins regulares de conjuntura econômica, boletins do mercado e consumo de combustíveis fósseis, consumo de água e de energia elétrica, com estimativas do potencial de atividade econômica, além da criação de indicadores ambientais como, por exemplo, emissão de gases do efeito estufa, saneamento municipal, pegada ecológica e observatório do som”, pontua.
Os boletins são publicados no site roeee-er.uffs.edu.br. A ideia é promover, ainda, eventos culturais integradores para os acadêmicos da UFFS e organizações regionais, com debates acerca das mudanças climáticas, da relação sociedade-natureza e de ações sustentáveis com o foco em educação ambiental, em especial, para públicos adultos.
Envolver toda a sociedade
Em relação à cerimônia de lançamento, o docente relata que o objetivo é tornar o Observatório, algo público, e por sua vez, ampliar as possibilidades de parceria com os agentes regionais, tanto público como privados, organizações sociais e entidades integrantes do Conselho da Comunidade Regional da UFFS. “Temos convicção de que o aperfeiçoamento dos produtos, das pesquisas e dos objetivos do ROEEE dependerão dessas interações, logo, nossa expectativa é que a comunidade acadêmica e a região como um todo, participe e contribua com sugestões e demandas”, salienta.
Para o coordenador, a ideia é promover a materialização dos produtos regulares sugeridos, e concomitantemente, contribuir com a mudança cultural existente. “É necessário usar a ciência como guia para a construção de uma transição sustentável para essa geração e as futuras”, enaltece.
Temas ambientais como prioridade
Em se tratando das principais demandas na área de meio ambiente que poderão receber contribuições ainda mais importantes, o professor José menciona que todos os temas ambientais merecem uma atenção redobrada. Entre os quais, ele cita a questão das mudanças climáticas. “Aparentemente, não estamos preocupados com esses efeitos em nossas vidas, os quais envolvem, saúde pública, inclusive, pandemias, e todos os encadeamentos decorrentes. Como consequência, verifica-se a escassez de recursos como água, essencial à nossa existência. No âmbito econômico, temos a questão da produtividade agrícola e da produção de alimentos saudáveis, sem falar do desastre ecológico do atual modelo de produção agrícola, a poluição industrial, agroindustrial e a produção de energia, os combustíveis fósseis, além do colapso dos ecossistemas e a escassez de recursos naturais”, enfatiza.
Outro desafio, conforme o pesquisador, é redesenhar as cidades para o cumprimento dos objetivos do desenvolvimento sustentável, com prospecção de indicadores de qualidade ambiental. Desse modo, se faz necessário o envolvimento cada vez mais significativo dos poderes público, privado e da sociedade, com foco no alcance de um futuro sustentável.