Estudioso de duas décadas, acredita que esses números são maiores, podendo chegar a 120 mil habitantes e elenca, baseado em dados, o porquê tem essa convicção
Encontrei um amigo na manhã de ontem (26), que fazia tempo que não conversávamos de uma forma mais demorada. Comungamos de uma mesma ideia há anos: que é impossível Erechim ter apenas 107.365 habitantes. Vou discorrer ao longo desta coluna, o porquê nos leva a ter essa sensação.
Censo do IBGE
No próximo dia 1º de agosto começa o censo do IBGE em todo o Brasil, domicílio por domicílio. Um levantamento gigante que irá mostrar dezenas de índices, hábitos e principalmente, o número de habitantes.
Ponto de vista e discussão saudável
A primeira pergunta que esse amigo me fez foi: “por que a maioria dos prefeitos acham que os números do IBGE são aquém dos reais?” Para ele, as possíveis distorções (e não quer afrontar os órgãos oficiais) sempre são para baixo e nunca para cima. Apenas quer mostrar seu ponto de vista e que essa discussão venha à baila para auferirmos a real população de Erechim, sempre respeitando o know how do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Outros municípios e as mesmas reclamações
Com 20 anos de experiência na área de pesquisas, números, cruzamento de dados, fala com convicção do que aprendeu nessas duas décadas. Citou o exemplo de três cidades que visitou nesse período: Bento Gonçalves, Chapecó e Cascavel. Sempre que apresentava os números aos prefeitos, era duramente questionado. Para os governantes dos executivos, os números populacionais apresentados sempre tiveram uma defasagem de 10 a 15%: “historicamente os municípios crescem de 0,8% a 2,5% ao ano. Isso em cidades polos. Mas não se vê esse crescimento nos números divulgados”.
Estudo de duas décadas
Com planilhas em mãos, e com dados de vários institutos, inclusive internacionais, tinha até um estudo que fez na primeira metade dos anos de 1990, mostrando a taxa de desemprego em Erechim, quando não se tinha muitas fontes de pesquisa.
Fatores para crescimento populacional
Segundo ele, o cálculo populacional leva em consideração quatro faixas: normal, temporária, transitória e flutuante. E que essas duas últimas – transitória e flutuante – se fundem e criam uma população circulante: “têm alguns fatores que os municípios crescem mais com os outros, como ter um bom parque industrial, universidades, hospitais, aeroportos e presídios. E nisso, Erechim tem quase todos, exceto o aeroporto com grande fluxo. Logo a tendência é que cresça dentro de um percentual razoável, o que não vem se notando ultimamente, pelos números oficiais”.
Para ele, 120 mil habitantes
Dados do Ministério da Saúde, de 2004, de acordo com planilha que tinha em mãos, mostravam que Erechim tinha 101.500 habitantes há 18 anos atrás: “se levarmos em conta um crescimento populacional de 1% ano, calculando a grosso modo, Erechim tem 120 mil habitantes”.