Não nasci em Erechim, mas me considero erechinense de coração. Vim para cá em abril de 1978, com sete anos de idade, da capital do Estado. Lembro bem o dia, pois a chegada foi de Unesul, com minha mãe e dois irmãos. Todos os quatro, dividindo dois bancos do ônibus.
“Mãe, vamos morar numa cidade que não tem prédios?
Lembro como se fosse hoje, a primeira frase que disse, quando pude ver a cidade ainda da BR 153: “mãe, vamos morar numa cidade que não tem prédios?”. Disse isso, pois só enxergava o condomínio e o prédio da Cotrel.
Belina e Maurício Cardoso de paralelepípedo
Completei o 1º grau (hoje, Ensino Fundamental), na escola José Bonifácio, onde tínhamos EMOCI e OSPB, e treinávamos a marcha para desfilar no Sete de Setembro. O 2º grau (hoje, Ensino Médio), foi na Fapes (URI). Durante três anos (1985 a 1987), pegava o ônibus urbano (quando não ia de carona de Belina, com o pai do Renan Calliari), na Avenida Maurício Cardoso, que ainda era de paralelepípedo, onde hoje é a Esquina Democrática.
Momentos mágicos que não se esquece jamais
Faço esse preâmbulo, pois foram 10 anos, da minha infância para adolescência que lembro de meus melhores natais. Quando morava na Avenida Germano Hoffmann, onde hoje é a Confraria dos Colorados, o trem ainda funcionava e cortava vários bairros de Erechim. Os trilhos eram atrás de onde morávamos e em frente a Ovel. Certa vez, o trem em baixa velocidade, próximo ao Natal, passava pelo local com um Papai Noel pendurado numa das escadas do vagão, jogando balas para as crianças. Um daqueles momentos mágicos, que não se esquece jamais.
Operação de guerra
Mas nada supera as lembranças do Natal de 1980, na rua J.B. Cabral, no prédio do Quincas. Natal da primeira bicicleta (Caloi Berlineta). Simplesmente inesquecível pela ‘operação de guerra’, que minha mãe fez, para realmente ser uma surpresa e jamais ser esquecido. Ela trancou as três ‘magrelas’, num quarto e ainda teve o cuidado de isolar a fechadura para que não espiarmos pelo buraco. Nos vendou os olhos, na noite do dia 24, abriu a porta e nos colocou lado a lado. Nesse momento, retirou as vendas. É difícil descrever tamanha felicidade, mais dela que a nossa na verdade, pela luta e pelas dificuldades da época. Difícil foi segurar a ansiedade para sair com elas pelas ruas de Erechim, já que era noite. Eu e meus irmãos não dormimos naquela noite. Nos primeiros raios de sol do dia 25, foram dezenas de km pelas calçadas e ruas de Erechim, cidade que tão bem nos acolheu.
Meu coração manda agradecer
Teria tantas outras histórias de Natal para contar, mas essas duas refletem um sentimento de agradecimento à Capital da Amizade. Mas sempre busquei extrair a felicidade em qualquer momento. Hoje, meu coração manda que eu expresse por palavras toda essa gratidão.