O Brasil é um país de enorme extensão territorial que reúne diversos estados, cada um com suas culturas e costumes, mas diferente da Europa onde podemos ir de um país a outro para buscar novas alternativas de trabalho e de vida, aqui pulamos de estado para buscar novos ares, e essa migração ocorre todos os dias.
Mas, dentro deste contexto, o que leva uma pessoa a trocar ou deixar tudo para trás e buscar novas oportunidades em um local totalmente diferente do seu, seja culturalmente ou geograficamente.
Nestas mudanças o município de Erechim também abraça muitas pessoas que buscam em solo bota amarela, uma mudança para si e para toda a família. Já recebemos haitianos, africanos, venezuelanos, catarinenses, paulistas e tantos outros que já fazem parte do dia a dia.
Da Bahia para o Rio Grande
Dentre os novos moradores, destacamos a história de Willian Souza dos Santos, barbeiro de profissão desde os 17 anos em sua terra natal, Salvador, Bahia, que aos 20, casado e com um filho pequeno desembarcou no aeroporto de Chapecó em direção a Erechim. Um novo desafio que se desenhava em sua vida.
A troca pela calorosa e bela Salvador por Erechim se deu após convite de um primo que já reside aqui há mais de cinco anos. “Foram dois anos de convite para que eu viesse, mas como estava no início da carreira, achava que era muito cedo. Após me profissionalizar acabei aceitando o convite. Arrisquei todas as minhas fichas para vir a um estado com cultura e costumes diferentes”. pontua.
Primeiros impactos
Entre os primeiros impactos, Willian destacou o frio, as pessoas e a cultura local, pois em Salvador se comemoraram várias datas e momentos festivos, a exemplo do carnaval. “Aqui uma das maiores datas a ser comemorada é a Semana Farroupilha, ou seja, há um choque de tradição”.
Preconceito na chegada
Com relação a recepção que teve quando desembarcou em Chapecó, no estado vizinho, Willian destacou, com lamento, que não foi tão agradável, pois sentiu o preconceito de quem estava a sua espera no aeroporto para trazê-lo até Erechim. “Estava na frente da pessoa e este meio que ignorou, tipo, é você? E após me relatou que existe um preconceito sobre o que as pessoas pensam do povo da Bahia, que metade da população seria preconceituosa. Fiquei com receio e repensei se teria vindo ao local certo”.
"Quando cheguei em Erechim conheci pessoas maravilhosas que me receberam muito bem. No mundo todo existe o preconceito, mas não podemos condenar um município por causa de um ou outro. Existem pessoas completamente diferentes das que foram relatadas na recepção”, ressalta.
Falta da família
Após sete meses em solo gaúcho, Willian destaca que sente muita falta da família, já que sempre esteve perto dos seus. Outra falta, garante que é a comida baiana que é bem mais temperada, mas que com o tempo vai se acostumando. “Vamos criando as nossas rotinas e acabamos nos adaptando no novo local, mas não deixamos o acarajé pelo churrasco gaúcho. O chimarrão já estou habituado”, garante.
Como barbeiro de uma das melhores barbearias da cidade, garante que se sente bem acolhido, atendendo muitos clientes e fazendo o seu melhor. “Colocando em prática o meu conhecimento e aprendendo dia após dia novas técnicas e formas de fazer o melhor possível em minha profissão”, finaliza.