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Rural

Abelhas sem ferrão: polinização ou hobby?

A criação de meliponídeos está presente em quase todos municípios da região, mas seu destino não é a produção de mel

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Evando Cantelle possui 15 espécies de abelhas sem ferrão
Por Rosa Liberman - rosa@jornalbomdia.com.br
Foto Divulgação

O trabalho de manusear abelhas sem correr o risco de levar ferroadas é realidade na região do Alto Uruguai. As abelhas sem ferrão estão presentes em quase todos os municípios da região, sem haver um levantamento oficial indicando qual a produção. A atividade não é tão recente, mas ainda também não está concretizada de acordo com o agrônomo da Emater Regional Valmir Dartora.

Segundo ele, muitos produtores optam por esta atividade como hobby ou como prática complementar das atividades rurais, que não tem como produção principal a produção de mel. “Como a produção de mel é inferior do que a produção Apis, apesar de ser muito mais rentável, os produtores direcionam sua criação de abelhas para outros objetivos, entre eles a polinização.

Quem tem o consorcio de abelhas sem ferrão e produção de morangos, pode ter um aumento na produção do fruto de até 20% devido à polinização do morango.

“Mas muitos produtores possuem espécies de abelhas sem ferrão para apreciação também e não como atividade comercial”, salienta.

Este é o caso do produtor rural Evando Cantelle. Ele conta que desde seu avô e seu pai trabalhavam com abelhas Apis e depois incluíram abelha sem ferrão (Jataí). E ele sempre acompanhou os trabalhos. Mas foi em 2014, quando participou de uma palestra ministrada pelo Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (Capa) que começou a adquirir outras espécies. “A partir deste curso comecei a ter mais conhecimento sobre o assunto e buscar por outras espécies. No começo foi para te ruma coleção mesmo, por hobby”, diz.

Hoje ele possui 115 caixas com 15 espécies de diversas regiões do país, desde Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso, Nordeste, Amazonia.

“Cheguei a pensar em produzir mel para comercializar, pois no início produzimos para consumo próprio. Mas a produção é pequena, 2 a 3kg por caixa, enquanto que a abelha com ferrão a produção é de 25 a 30 quilos por ano. Já o valor do quilo também tem grande diferença R$ 25 o quilo da Ápis podendo chegar a quase R$ 100 da abelha sem ferrão. Mas depois direcionei minha produção para a divisão de enxames”, diz.

Acrescentando que “multiplico os enxames e vendo-os depois. O valor varia de R$ 150 até R$ 450. E leva em torno de seis meses para formar um enxame. A divisão é trabalhosa, feita com três caixas da mesma espécie”, explica. O lucro é usado para a aquisição de novas espécies.

Mas aliado a comercialização de enxames, Cantelle possui 12 hectares destinados a fruticultura (laranja, pêssego, maça, ameixa e caqui) e a polinização é muito importante. “Na produção do chuchu, aumentou em 70%, por exemplo.

 

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