Recentemente, uma renomada marca de automóveis lançou uma campanha com a música ‘Como nossos Pais’, interpretada por Elis Regina, relatando que a aquisição de um veículo pode marcar a história das pessoas, se reinventando ao longo dos anos.
E não é apenas em comerciais que essa trama acontece. Na região do Alto Uruguai, em Ponte Preta, Junior Nava viveu mais de 10 anos com o Fusca do avô, em sua memória e coração.
O início de tudo
Quando tinha apenas três anos, os avós de Júnior, que são de Jacutinga/RS, iam visita-lo com um Fusca cor laranja, modelo 1973, que sempre despertou o interesse do pequeno. “Entrava no veículo e lá passava o dia todo brincando. Ia no “chiqueirinho”, mexia em tudo, era minha paixão. Sempre esperava ansioso pelo momento em que eles viessem ou fossemos até a casa deles para vê-lo”, conta o jovem.
O tempo foi passando e o amor de Júnior pelo Fusca só aumentava. Porém, o inesperado aconteceu. “Em uma manhã de segunda-feira estava em casa com meus pais, quando avistei um Palio vermelho chegando. Logo vi meu avô desembarcando do carro, contando que tinha vendido o Fusca, sem ninguém saber. Fiquei muito triste, chorei e questionava o porquê da venda”, lembra.
Após aquele período, Júnior que ainda era muito pequeno, passou por momentos difíceis, chegando a desenvolver uma tristeza profunda pela falta do automóvel. “Quando pensava nele, chorava. Cresci dizendo que algum dia descobriria onde o Fusca estava e o compraria novamente”, enfatiza.
O pai até comprou para o menino um outro Fusca, modelo 72, na cor azul, mas o apego era pelo antigo carro do avô, especificamente. “Não me sentia bem, não era o mesmo amor por aquele que era dos meus avós”, relata.
Em busca da realização de um sonho
Inconformado, o garoto começou a trabalhar em prol do seu objetivo, localizar o automóvel. “Peguei uma foto que minha avó tinha me presenteado e consegui ler o número da placa. Utilizei aplicativos para obter informações e descobri que o Fusca estava ainda em circulação, na cidade de São Pedro/SP e a origem dele era do Rio Grande do Sul. Entrei imediatamente em grupos de vendas daquela cidade e postei fotos, pedindo se alguém conhecia o carro e o número da placa”, revela.
Para sua surpresa, a publicação foi respondida. “Comentaram: “não é o teu José?” E era mesmo! Entrei em contato com o dono e contei a importância do Fusca para mim, dizendo que quando completasse 18 anos queria compra-lo. Infelizmente ele disse que não pretendia vender, pois seus filhos estavam criando suas histórias”, relembra.
Nova chance
O pontepretense ficou aos prantos com a resposta, mas o destino decidiu o surpreender. “Dois anos se passaram e José anunciou a venda do Fusca, porém, ainda não tinha 18 anos e meu pai não me deixou compra-lo. Depois de algum tempo, vendo o quanto o automóvel era importante para mim, minha família decidiu que era hora de finalmente mudar essa história”, ressalta.
A tia de Júnior, Suzana Coghetto, foi ao lado de um amigo com um caminhão baú, de Blumenau/SC, com destino a São Pedro/SP e retornaram a Ponte Preta com nada mais nada menos que o fusquinha do vovô. “A ficha demorou a cair, de que meu maior sonho tinha sido realizado”, relata emocionado.
Com o Fusca em mãos, a partir de agora Júnior vai fazer as revisões, manutenções, com o objetivo de restaurá-lo e deixa-lo original, como era quando pertencia aos avós. “Os novos donos o modernizaram, mas aos poucos vou trocando e o deixando da maneira como foi fabricado”, finaliza o jovem.