Seja para agradecer ou fazer pedidos, milhares de pessoas passam nesta quinta-feira (14), pelo Santuário de Nossa Senhora da Santa Cruz, às margens da ERS-420, que liga Erechim a Aratiba, para a tradicional Romaria em honra a Nossa Senhora da Santa Cruz, que inicia às 14h. O espaço, que fica a pouco mais de 20 quilômetros da cidade, se tornou um centro religioso, há 36 anos, quando os primeiros fiéis começaram a se reunir em devoção à santa e a Dorotéia Menegon Farina, vidente que recebia mensagens da mãe de Jesus no local.
A reportagem do Bom Dia já acompanhou diversas edições da romaria, que surpreende pelo número de participantes e relatos de milagres.
A história
Em uma das oportunidades, conversamos com o afiliado de Dorotéia, Luiz Bertochi, um dos responsáveis por manter o santuário. Bertochi sempre relata em suas falas que sua madrinha Dorotéia, em 1944 - aos 33 anos, foi diagnosticada por três médicos com câncer. Pouco tempo depois ela veio a falecer e chegou a ser velada, porém, 24 horas após voltou à vida. "A família não comenta, mas fatos como este sempre se repetiam no período de início da quaresma. Ela ia se deitar e praticamente morria, mas, no domingo ela voltava à vida", relata o homem que diz ter presenciado o fato por diversas vezes.
Bertochi lembra que dias após o fato de morte pela primeira vez, Dorotéia voltou a ter uma vida normal. Até que um dia quando estava sobre um tanque d'água, próximo a sua residência, ouviu uma voz. "Este foi o primeiro contato da santa com ela, que se identificou como Nossa Senhora da Santa Cruz, e que ao longo da vida, fez várias aparições", destaca.
Doroteia morreu em 1988, aos 76 anos, e antes fez um pedido aos familiares: a construção de um santuário no local das aparições, que atualmente reúne milhares de pessoas todos os fins de semana, número que multiplica no dia 14 de setembro. Conforme relatos, a data foi escolhida pela vidente que recebia as mensagens apenas cinco vezes ao ano. "Nos dias 6 de janeiro, 11 de fevereiro e no primeiro dia das quaresmas", destaca.
Sinais
No local, é conservada até hoje a residência em que Dorotéia morava com o marido, um local cheio de sinais das aparições e histórias, que atualmente são guardadas por voluntários que se revezam diariamente para atender o público de forma gratuita.
Um destes sinais e, talvez o que mais chama atenção, é a imagem da cruz desenhada no chão, surgindo no meio da grama, após uma das aparições e permanecendo visível até os dias atuais.
Hoje a cruz está cercada e parece escavada, isso porque muitos fiéis levam para casa um pouco de terra. Mas na época o episódio chegou a causar um clima de tensão com religiosos da região que não acreditavam no fato. "Este lugar chegou a ser destruído cinco vezes, quatro a pedido da igreja e a última não sabemos o motivo, mas todas as vezes ele voltou à imagem original", destaca Bertochi
Na quarta tentativa de acabar com a cruz, um novo sinal teria surgido, uma fonte de água. "A vidente então falou para o padre que tudo aquilo não adiantaria, pois era um sinal de Deus. Então o padre afirmou que se aquilo fosse real, nasceria uma fonte naquele lugar", destaca.
Mistério
Outro mistério que rodeia o local envolvia a própria vidente, que no início da quaresma, apresentava sinais de sangramento nas mãos e nós pés, como os de Jesus Cristo. Na época jornais chegaram a noticiar o fato que chegou a ser investigado, mas encerrou sem resposta. Assim como uma medalha que Nossa Senhora teria entregado para Dorotéia e que ninguém teria encontrado. "Ela nos disse que no momento certo ela vai aparecer", finaliza Bertochi.