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Acessibilidade ainda é um desafio para pessoas com deficiência visual de Erechim

Integrantes da ADEVE relatam os desafios encontrados ao tentar frequentar as vias

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ADEVE é referência em Erechim e região
Por Vivian Mattos
Foto Vivian Mattos

Com uma trajetória de 11 anos, a Associação dos Deficientes Visuais de Erechim (ADEVE) é uma referência não só na cidade, mas também nos municípios vizinhos. Sua atuação visa cultivar a autonomia e independência daqueles que a frequentam. No entanto, os desafios se manifestam ao ultrapassar os limites da instituição, ecoando pelas barreiras presentes nas ruas da cidade.

MOBILIDADE URBANA

Necessário para que pessoas com deficiência visual possam ter independência e segurança para se locomover, o piso tátil é importante para orientar o caminho na rua e alertar sobre desníveis no chão. Após a fundação da ADEVE, os primeiros passos foram dados para reivindicar essa acessibilidade no município. 

Segundo a presidente da ADEVE, Jandira Ronemberg, quando ela perdeu a visão, Erechim ainda não contava com piso tátil, seu companheiro Antônio Marcos Pumi, uma pessoa com deficiência visual há mais tempo, a ajudou a começar a caminhar pela cidade. "Podemos estar andando 500 metros em uma calçada com piso tátil, de repente ele acaba, só continua na próxima calçada ou pode estar irregular. Como não tem fiscalização frequente, podemos encontrar uma lixeira em cima, um carro estacionado, mesas, placas de estabelecimentos do comércio, ou até pessoas que não abrem passagem", disse.

A assistente social da ADEVE, Elexandra Zambon, comenta que, apesar de integrarem o Conselho de Desenvolvimento de Erechim (CODER), o retorno das obras nas vias não é rápido. “Já encaminhamos todas as informações solicitadas, relatórios e dados cabíveis, mas não temos um retorno imediato para essas demandas. Tentamos fazer com que eles tenham aceitação própria e liberdade, mas esbarramos na falta de acessibilidade”, explica. 

EDUCAÇÃO

Ao ingressar no ensino superior em 2011 na Universidade Federal da Fronteira Sul, no curso de Ciências Sociais, Antônio, a universidade não tinha ainda consciência das demandas educacionais de pessoas com deficiência visual. “Os professores não sabiam como me ajudar, como me tratar e trabalhar comigo. Esse desafio durou dois semestres, sem estrutura para aprender acabei desistindo”, disse. 

A tecnologia tem ajudado as pessoas com deficiência a terem possibilidades de inclusão, mas ainda há um longo caminho a percorrer. Uma alternativa para a ADEVE é o ensino de Braille, ministrado pela professora voluntária, Angela Malicheski, que atende crianças e adolescentes em idade escolar que não recebem o devido auxílio nas escolas.

Lucas Cortina, comenta que a disponibilidade do material didático em de Braille é um problema, ele vem para as escolas, mas sempre tempo depois dos livros convencionais, gerando atraso para o aluno que necessita fazer uso dele. “O ideal seria que os livros chegassem juntos, assim não atrasaria o aprendizado, mas sempre é encomendando por último”, comenta.

A professora da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), Alessandra da Veiga, que participa de um trabalho feito em parceria com a ADEVE, explica o processo de aprendizagem é um conjunto de ações e ele é diferente para cada pessoa. “A inclusão envolve a capacitação dos profissionais, precisa de um olhar humanizado, integra a gestão, a didática do professor que fará o atendimento e família. Esse aprendizado envolve todo mundo e ele não é simples”, disse.

INCLUSÃO

Após algumas mobilizações, a ADEVE, conseguiu empregar duas pessoas com baixa visão no mercado de trabalho, mas o processo ainda é longo. Para Lucas, a inclusão de uma pessoa cega é praticamente impossível. “Não conseguir ver é um fator que nos limita pelas pessoas e faz com que acreditem que não conseguiríamos exercer uma função”, comenta.

Além disso, os participantes comentam que ao frequentar o comércio, os atendentes se direcionam aos acompanhantes, sem questionarem seus gostos e preferências. Uma das sugestões elencadas pela ADEVE é que as pessoas questionem como gostariam que atendimento fosse feito, assim o processo pode ser mais humanizado e agradável para ambas as partes. 

PODER PÚBLICO

A redação do Bom Dia procurou a Secretaria Municipal de Obras, Habitação, Segurança e Proteção Social, Mario Rogerio Rossi, para verificar as questões elencadas sobre as vias públicas.” A Prefeitura relata que está orientando os proprietários de imóveis da área central da cidade, por recomendação do Ministério Público Estadual, para fazer a regularização da acessibilidade dos passeios. Até o momento, foram orientadas 22 quadras na área central para colocação do piso tátil”, afirma o secretário, Mario Rossi.

O secretário também elenca que a fiscalização das obras é realizada ao longo do ano. “Com relação à colocação de objetos sobre o piso tátil, quando ocorrer, o cidadão deve denunciar isso para a prefeitura, que de imediato o setor responsável vai notificar o proprietário do imóvel, para o objeto que está interrompendo ser realocado do piso tátil. Temos feito isso de forma constante o ano todo”, afirma.

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