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Um segredo terrível. Nenhum sinal do que nos esperava!

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Eu, Rodrigo, com meus irmãos Maurício e Leandro
Por Rodrigo Finardi
Foto Arquivo pessoal

Todo mundo tem sua história de Natal inesquecível. E nessa antevéspera de Natal, resolvi relembrar uma história inesquecível de minha infância em Erechim. Já publiquei em outra oportunidade, mas coloquei mais alguns ingredientes.

Era o Natal de 1980. Morava na Rua JB Cabral, em frente da Praça Júlio de Castilhos. Essa história lembro como se fosse hoje. Reporta aos meus primeiros anos morando em Erechim. Tinha 10 anos, e meus dois irmãos, Maurício com 9 e Leandro com 8. Foi o Natal da primeira bicicleta. Como esquecer?

O mais interessante é que sempre sabíamos o que ganharíamos no Natal (de tanto incomodar os pais), mas esse foi diferente. Minha mãe Stela, fez um segredo terrível e que nos corroía por dentro. O que estaria ela ‘aprontando’ para os três anjinhos? Todos comportados, boas notas. E nenhum sinal do que nos esperava.

Como era o mais velho fui pedir para a mãe o que nos daria, já combinado com os outros, lógico. Disse que estava com pouco dinheiro, grávida de minha irmã e que o foco seria ela. E que nós, os mais velhos, teríamos uma quantia ‘X’ para gastar, cada um.

Sabendo do valor que poderia gastar comecei a matutar.  Daí me surgiu a ideia de encontrar uma bicicleta usada. Precisava colocar o pé no barro até encontrar.

E não é que faltando seis dias para o Natal consegui uma bicicleta usada. Exatamente no valor que a minha mãe tinha me dito que poderia gastar. Uma ‘tigrão’, com banco malhado, toda estilizada, além dos pneus brancos. Um luxo (os mais antigos entenderão). Estava extasiado com a real possiblidade de ter minha primeira bicicleta.

Então corri falar com minha mãe, para pegar o dinheiro lógico, e a resposta que ela deu, me tirou o chão. Foi como o soco direto no queixo. “Meu filho, não posso te dar a bicicleta. Como ficarão os teus dois irmãos”. Chateado, me resignei, mas entendi. Desde aquele dia não queria mais saber do Natal, tipo “tanto fez, tanto faz”.

Os dias foram passando e eu me conformando. Chega a véspera de Natal. O apartamento que morávamos era aqueles antigos, com um corredor no meio e as peças dos lados. No meio dele – à esquerda – tinha uma sala. A mãe e meu padrasto Paulo Renato Berto, o Fumaça, deram um jeito de nos tirar de casa.

Quando retornamos, aquela sala no meio do corredor estava trancada. Imagina o que passava na cabeça de três crianças.  Foi um dia interminável. E a ansiedade só aumentava.

Chega à noite, hora dos presentes. A mãe pega os três filhos, venda os olhos, abre a porta daquela bendita sala no meio do corredor.

Falou algumas palavras que o ano foi difícil e o Papai Noel viria magrinho, e o que conseguiu comprar era apenas uma lembrança. Mandou ficarmos encostados numa parede e retirou a venda uma a uma. Como uma fada, com a voz macia, sentia que ela estava emocionada. Pediu que nos virássemos.

Naquele momento tive a certeza que existe o pote de ouro no fim do arco-íris. Aquela imagem de 43 anos atrás, povoa meus pensamentos até hoje.  Três bicicletas Caloi Berlineta novinhas, diante de nossos olhos. Eu só via as lágrimas escorrer pelos olhos de minha mãe. Eu, Maurício, Leandro parecíamos baratas tontas.

Um momento mágico, para nós crianças. Mas acima de tudo para mostrar o espírito de Natal. A alegria dos filhos, foi a maior recompensa de minha mãe que estava recomeçando sua vida após a separação.

Essa história, fala de um presente material. Que os pais não medem esforços para alcançar o que é possível para seus filhos. Valorize seus pais, sempre. Um feliz Natal à todos.

 

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