No dia 21 de janeiro de 2024 ocorreu o Primeiro Encontro da Família Mikulski, na Comunidade de São Luiz, Rio Poço, em Erechim. As comemorações contaram com aproximadamente 130 convidados, descendentes de Imigrantes Poloneses, de todas as idades. Outros sobrenomes apareceram também pelas relações conjugais entre as famílias.
O evento foi repleto de emoções com participantes revendo familiares e muitos se conhecendo pela primeira vez. Pessoas de idade, crianças, jovens e adultos interagindo de forma carinhosa, representando laços afetivos familiares desde os patriarcas de origens nas distantes moradas da Polônia e demais regiões da velha Europa.
O evento iniciou no domingo de manhã com a missa conduzida pelo Padre Paulo Rogério Caovilla, na Capela São Luiz da Comunidade. Na saída, todos se posicionaram em frente à capela para a foto oficial.
Em seguida dirigiram-se ao salão de festas onde inicialmente o líder do evento, Lino Morawski, se dirigiu aos presentes com palavras de agradecimento pela participação de todos. Falaram também Sandra Mikulski, primeira dama do Município de São José/SC, que conduziu o protocolo, o prefeito de São José, Orvino Coelho de Ávila, o Padre Paulo Rogério e o prefeito em exercício de Áurea, Alberto Roque Omizzolo. Todos referindo-se a importância da exaltação e união das famílias.
Logo após foi projetado uma apresentação com diversas fotos de familiares enviadas pela Ana Maria Mikulski e editoradas por Beto Hachmann que posteriormente serão enviadas as famílias para dar continuidade ao resgate.
Antes do almoço os presentes apreciaram uma dança típica Polonesa com Charleu Nazzari e sua filha Kimberlly Nazzari.
A tarde foi repleta de conversas, lembranças, depoimentos e muita alegria com a tradicional canção nas mesas “Dobry Pan”, tradição nos casamentos poloneses, e, como não podia faltar, muita dança até o final do dia.
Origem Da Família Mikulski Na Polônia (Relatos de Lairton José Morawski e Luiz Carlos Morawski)
O trabalho de pesquisa e resgate dos ancestrais da família Mikulski iniciou com Luiz Carlos Morawski que atualmente reside na Itália: “Conhecer as origens da Família Mikulski na Polônia foi uma aventura muito emocionante”. O nosso interesse foi suscitado pelas exigências de documentação para obtenção da cidadania polonesa, que pretendíamos encaminhar junto ao Consulado da Polônia em Curitiba.
A lei polonesa adota o princípio “ius sanguinis”, pelo qual a cidadania polonesa pode ser reconhecida se um dos ascendentes do requerente foi ou é detentor da mesma. Depois de meses e meses de pesquisa na Polônia, sem nada encontrar relacionado com a origem de nossa família paterna (Família Morawski), apontamos então para o lado da família materna, pois o nosso avô Alberto (Wojciech) era nascido em terra polonesa. Sabíamos que ainda vivia uma filha do tio Félix, em Barão de Cotegipe, era Casemira Mikulski Stachelski, casada com Antonio Stachelski, ambos já em precárias condições de saúde, em 2007 quando fizemos a visita. Além da Casemira Felix e Estanislava tiveram os filhos: Adão Mikulski, Leocadia Kalinoski, Verônica Mikulski e Rosália Mikulski Ujacov.
Das poucas coisas pertencentes ao tio Félix, que ainda conservava, era uma carta oriunda de parentes da Polônia, escrita em 1946.
Assim que retornei à Itália, juntamente com o meu irmão Luiz Carlos (que também vive aqui), contratamos um pesquisador na Polônia, um professor aposentado de História na Universidade de Lodz, para fazer buscas da Família Mikulski a partir dos indícios desta carta.
Passados vários meses, finalmente nos contatou informando-nos que talvez havia encontrado algo de interessante. Ele conseguiu localizar um sobrinho já idoso do remetente da carta (Wladyslaw Zamirowski) em Goniadz, o qual deu indicações precisas de como chegar ao local de origem dos Mikulski emigrantes para o Brasil.
O Luiz Carlos viajou imediatamente à Polônia. Das informações obtidas, descobriram que os Mikulski viviam em uma pequena localidade denominada Przechody, a uns 10 km da cidade de Bialystok, na Região de Podlaskie, nordeste da Polônia, e a uns 30 km da atual fronteira polonesa com a Biolorússia.
Przechody fica numa planície pantanosa, em uma das áreas mais pobres da Polônia. Na época que os Mikulski aí viviam, possuía cerca de 50 casas, hoje tem umas 15 casas, pois o vilarejo foi completamente devastado na Segunda Guerra Mundial.
Em conversas com alguns moradores mais idosos do local, diziam eles recordar seus pais falarem frequentemente dos Mikulski que partiram para o Brasil e nunca mais voltaram. Disseram que os Mikulski tinham uma espécie de pousada, a qual se incendiou. Depois deste acidente, os Mikulski resolveram emigrar para a América.
Imigração e primórdios da Família Mikulski no Brasil
Certidão fornecida pelo Arquivo Nacional, junto ao Museu Nacional do Rio de Janeiro (infelizmente completamente consumido no incêndio de 02/09/2018), na data de 10/10/2007, contém informações relativas à chegada da família Mikulski no Brasil, constituída de 8 pessoas, imigrantes provenientes da Polônia.
Pais: Wojcich (o correto seria Wojciech) e Maryanna Mikulski.
Filhos: Pawlina, Feliks (Félix), Wojcich (depois traduzido para Alberto em português).
Pais: Wladislau e Eva.
Filhos: Fermino, Lingines, Casemiro, Osvaldo, Josefa e Cristina.
Falecidos: Boleslau, Albino, Clementina e Vanda.
Pais: Jozef (José) e Vitória.
Filhos: Teodoro, Silvestre, Estefano, Anna, Emília, Apolônia, Josefina e Lídia.
Jasicke (no Brasil adotou o nome João) e Wladislaw. Chegaram ao Rio de Janeiro, procedentes de Hamburgo – Alemanha, em 11/11/1911 e já em 15/11/1911 partiram para Porto Alegre.
É interessante abrir um parêntesis para contextualizar a situação sócio-político da Polônia na época da emigração dos Mikulski para o Brasil. No século XVIII, entre 1772 e 1785, a Polônia teve progressivamente o seu território repartido entre a Rússia, a Prússia e a Áustria, deixando de existir como uma nação independente, ressurgindo somente 123 anos depois em 1918. Em 1939 foi ocupada pela Alemanha nazista, desencadeando a Segunda Guerra Mundial e, em 1945, no final da guerra, foi invadida pela União Soviética, que implantou o regime comunista.
A Polônia reconquistou sua liberdade plena nos recentes anos 80, com o Movimento Solidariedade e a queda do Muro de Berlim. No final do século XIX, na Polônia como quase em toda a Europa, grande parcela da população vivia num estado de extrema pobreza e fome. Então iniciaram-se os movimentos migratórios para a América (Estados Unidos, Brasil e Argentina).
Retomando a saga dos Mikulski no Brasil, além dos registros de imigração, não dispomos de qualquer outra documentação escrita. O que sabemos, são memórias de relatos orais contados pelos nossos avós. Chegados ao Rio Grande do Sul, no final de 1911, inicialmente se estabeleceram em uma área que pertencia ao então Município de Alfredo Chaves (Veranópolis atualmente). Aí viveram por alguns anos, para depois seguir para o Alto Uruguai gaúcho, na área original do Município de Erechim (talvez nesta época ainda denominado Paiol Grande). Não sabemos a data, mas podemos deduzir que foi no início da década de 1920.
Wojciech e Maryanna, em companhia do filho Félix, se estabeleceram na Linha Palomas, no atual Município de Barra do Rio Azul, distante cerca 40 km de Erechim. Aí vieram a falecer e sepultados nos inícios da década de 1930.
Paulina (1890 - 1973) a filha mais velha, casou-se com Raimundo Chaginski e sempre viveu no interior do atual município de Barão de Cotegipe.
Félix (15/08/1893 - 27/08/1987), como já mencionado, viveu na Linha Palomas, como agricultor. Era uma figura muito peculiar, simpático, de boa comunicação e bom nível cultural, contador de estórias, gostava de cantar velhas canções de sua terra natal polonesa.
Alberto (Wojciech Filho), José e João se estabeleceram em torno de Áurea, Centenário e Carlos Gomes.
Alberto (03/03/1899) - 1982) casou-se com Estanislava Sulkoski e se estabeleceu na Linha Três Barras, atual município de Áurea, onde nasceram os seus filhos José, Marcelino, Valentina, Estácio, Carolina, Eduardo, Clementina e Hélio (este teria nascido em Paim Filho). No início da década de 1950, transferiu-se para Chapecó, depois para Xanxerê e, na década de 1960, foi morar em Curitiba, onde faleceu. Era o mais aventureiro dos seus irmãos. Foi agricultor, madeireiro, mascate e chacareiro.
José (15/12/1901 - 1985), casou-se com Victoria Dominski, viveu quase toda a sua vida em Erechim. Era o que tinha mais tino para os negócios entre os seus irmãos. Foi um dos pioneiros de Erechim, empresário bem-sucedido, fundador da lendária empresa do ônibus Mikulski.
João (Jasicke) teve um fim trágico em Áurea, quando ainda era muito jovem. Foi assassinado em uma emboscada, na famosa Revolução de 1923 (chimangos contra maragatos), em uma estrada em meio a floresta, enquanto se dirigia a cavalo à casa de sua namorada, em uma tarde de domingo. Até hoje se conta em Áurea que o seu futuro sogro, um Jurkovski, vingou a sua morte, indo atrás do chefe dos maragatos assassinos, tendo-o localizado nas margens do Rio do Peixe, em Carlos Gomes. Obrigou o assassino a cavar sua própria cova, na qual foi enterrado, depois de ser executado.
Wladislau (15/12/1909 - 13/06/1976) depois de casado, estabeleceu-se nas proximidades de Erechim, onde passou toda a sua vida. Foi agricultor e granjeiro. Era proprietário de uma olaria. Seus filhos ainda vivem em Erechim.