Erechim é um município longe dos rios e dos mares, mas tem uma população que ama o litoral gaúcho e catarinense, visto que nesta época do ano são milhares de famílias que se deslocam para os mais diferentes pontos dos dois estados para aproveitarem as férias ou para fixar nova residência, seja para buscar novas oportunidades ou para aproveitar a aposentadoria.
Com esta realidade, o município não vive, no dia de hoje, a grande festa dos navegantes, momento em que se comemora do Dia de Iemanjá. Mas não podemos esquecer que ela é a protetora dos lares, das crianças, gestantes, é invocada na hora do parto e por todos que desejam ser felizes no casamento. Amada por milhares, merece o destaque em sua homenagem.
Vestes brancas
O Dia de Iemanjá é a maior festa em honra a este orixá. Nessa data, milhares de pessoas se vestem de branco e vão às praias depositar oferendas, como espelhos, joias, comidas, perfumes e outros objetos.
Também conhecida como "Rainha do Mar", Iemanjá é um orixá africano feminino. Ela faz parte da religião do candomblé e de outras religiões afro-brasileiras. É considerada padroeira dos pescadores, jangadeiros e marinheiros.
Origem do Dia de Iemanjá
O Dia de Iemanjá coincide com a festa da Apresentação de Nossa Senhora ao Templo, da Igreja Católica. No catolicismo, Iemanjá corresponde a Nossa Senhora da Luz, Nossa Senhora da Candelária, Nossa Senhora das Candeias, entre outras. Atualmente, a data conta com devotos do candomblé e da umbanda, em sua maioria.
Em 2 de fevereiro também é celebrado o Dia de Nossa Senhora dos Navegantes, outro título com o qual a Virgem Maria é venerada. O município de Charrua, por exemplo, realizou a sua festa no último domingo, 28, a beira do rio que passa pela Linha Florentina.
Sincretismo
No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina ainda existe o sincretismo entre Iemanjá e Nossa Senhora dos Navegantes. Por esse motivo, algumas imagens de Iemanjá são representadas por uma mulher branca, fazendo referência à santa católica. No Rio de Janeiro, Iemanjá é sincretizada com Nossa Senhora da Conceição, dentre outras denominações.
História de Iemanjá
Iemanjá era a orixá de uma nação iorubá, os Egba, que viviam inicialmente em um local no sudoeste da Nigéria, entre Ifé e Ibadan, onde há um rio chamado Yemanjá.
No século XIX, por causa das guerras entre povos iorubás, os Egba foram obrigados a se afastar do rio Iemanjá e passaram a viver em Abeokuta. No entanto, continuaram cultuando a divindade, que segundo a tradição, também passou a viver em um novo rio, o Ògùn. No Brasil, o Dia de Iemanjá pode ser comemorado em dias diferentes, dependo do estado.
Elisa Pilotto
De acordo com a historiadora Elisa Pilotto, Iemanjá, mãe cujos filhos são peixes. “Não é possível cultuar Orixá sem cultuar esta grande mãe. É importante compreender que na diáspora o seu culto ficou intimamente ligado ao mar. E, é nesta imensidão, nestas profundezas, que Iemanjá se torna força ancestral. Uma grande mãe que acolhe, alimenta, limpa, mas também refugia os ancestrais que estiveram em suas águas”.
“Iemanjá nos ensina sobre a importância da família, na valorização e respeito com os nossos relacionamentos. Ela também nos ensina que termos consciência sobre quem somos, o que fazemos, tem que se fazer presente em nossa conduta cotidiana. Consciência de auto responsabilidade, auto cuidado, auto amor. Iemanjá nos ensina que todo bom relacionamento começa em nós, e que devemos ser exemplo em nossos lares. Cultuar esta grande mãe é ter a força e o saber necessário para vivermos em harmonia com nossas famílias e conosco”.