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Quando o acaso mostra uma história que merece ser contada

Vendedor de toalhas de louça conta a mudança de vida após acidente que o tornou paraplégico

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Por Carlos Silveira
Foto Carlos Silveira

         Sabe aqueles momentos em que você não está pensando em nada e de repente surge como uma luz na sua frente uma história que merece ser contada para que mais pessoas possam conhecer a fundo e, de uma certa forma, poder auxiliar e dar a sua participação na construção de uma sociedade melhor.

         E foi em um destes momentos, mais precisamente perto do meio dia, horário em que me deparo ocasionalmente com histórias magníficas que merecem ser contadas, que conheci uma figura que para muitos se torna mais um invisível na sociedade por sua atual situação, e para outros uma nova amizade que passa a ter com alguém que, rotineiramente, não costuma ter.

Obra do acaso

 Como posso dizer, é uma obra do acaso ou sinal forte daquele que está acima de nós, ou seja, é como um chamado para dizer que aquela pessoa está ali, tem objetivos, mas principalmente, tem uma história para contar.

Estamos falando de Robson Alves da Silva, que vive a maioria do dia em cima de uma cadeira de rodas motorizada que faz com que possa se deslocar de um local e outro e manter uma atividade profissional de onde tira o seu sustento, ou seja, vender toalhas de louça.

Uma nova história

A nova história de Robson, momento em sofre um acidente, inicia no dia 09 de abril de 2022, quando ficou 60 dias entubado na Unidade de Tratamento Intensivo, mais 30 dias no quarto e que recebeu alta do hospital. “De lá para cá fiquei paraplégico e busquei na venda de toalhas de louça uma forma de trabalhar nas calçadas da cidade, seja no centro como nos bairros, tanto durante a semana, como nos sábados e domingos”.

Pescador

Aos 35 anos de idade Robson morava anteriormente no município de Guatambú, estado de Santa Catarina e chegou a Erechim devido a ter nascido aqui e a sua mãe sempre ter residido no município, o acidente aconteceu no estado catarinense quando trabalhava como pescador. “Não me lembro de nada do dia do acidente, mas de lá para cá os médicos apontam este esquecimento como uma espécie de defesa para que não entre em uma depressão profunda devido ao meu estado atual”.

Encarar uma nova realidade

         Depois do acidente e passar a ter uma vida totalmente diferente ao qual vivia anteriormente. Robson destaca que a situação é muito triste, “não desejo a ninguém que passe pelo que eu estou passando atualmente, pois a realidade é dolorida, perdendo noites e noites de sono com depressão. Busco me tratar por tratamento e atendimento psicológico, mas espero que no final dê tudo certo”.

Auxílios

         Com relação a apoio e recebimento de auxílios, Robson destaca que a maior ajuda é de ele mesmo com as vendas das toalhas de louça através de seus clientes. “O que eu ganho do governo ajuda nas despesas médicas, pois faço regularmente curativos para as escarras que acabei ganhando desde que sofri o acidente”. Com relação as fraldas, garante que recebe apenas 30 da prefeitura municipal por mês, mas que duram menos que uma semana, como relação as medicações e demais despesas cobre com as toalhas.

Casa própria

          Robson destacou, com alegria, que está juntando recursos para a construção de uma casa adaptada para a sua condição onde poderá entrar e sair sem a necessidade de auxílio de alguém. “Muitas pessoas entendem o meu caso e eu agradeço a cada uma que me auxilia nas vendas”.

         Hoje, destaca que entre as maiores necessidades, além das fraldas, é com relação a sonda que faz todos os dias para se aliviar da urina, já que são vários os momentos, pois devido a algumas complicações não consegue segurar.

        

Vitórias

 Morando com sua mãe até a sua casa ficar pronta, Robson destaca que em sua vida já teve muitas vitórias e a ajuda de muitas pessoas, por isso agradece a cada uma. “Tive muitas conquistas através de mim, pois as pessoas de veem na rua com uma cadeira de rodas elétrica que parece uma moto, esta por meio de meu esforço e meu trabalho. Deus me deu esta jornada e tenho que realiza-la, vou voltar a estudar novamente, o que deverá acontecer em breve, momento em que estarei conciliando o estudo e o trabalho, além de realizar o basquete com cadeira de rodas e o boxe na URI”.

Recepção

         Finalizando, Robson destaca que, com relação a recepção das pessoas quando são bordadas para a venda de suas toalhas, algumas tratam bem, porém outras acabam maltratando, ou seja, não conversam ou não querem nenhuma aproximação. “Já fui maltratado até em um restaurante onde acabei fazendo um Boletim de Ocorrência”.

Lamento

         Ainda durante a conversa, lamentou que por algumas oportunidades as pessoas adquirem seus produtos, prometem o envio de pix, só que não, acaba sendo enganado, ou seja, os que tem acabam retirando dos que não tem, o que é extremamente lamentável.

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