A maior tragédia da história do Estado pode levar o estado a registrar uma recessão em 2024, avaliam economistas. Essa retração, entretanto, pode ser minimizada com a série de medidas para impulsionar a retomada da atividade econômica.
Os períodos de estiagem e de chuvas em excesso contribuíram para que o produto interno bruto (PIB) do Rio Grande do Sul crescesse apenas 0,6% entre o quarto trimestre de 2019 e o quarto trimestre de 2023. No mesmo período o Brasil registrou alta de 7% do PIB.
Queda na demanda e necessidade de crédito
Com as cidades inundadas há uma queda abrupta de demanda já que as pessoas não podem consumir e os estabelecimentos comerciais e produtivos estão fechados. Além disso, as famílias tendem a reduzir o consumo, diante da necessidade de formação de poupança para bancar a reconstrução das casas. A oferta de crédito será essencial tanto para as famílias quando para as empresas.
Impacto limitado no agronegócio
O economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul, Antônio da Luz, afirmou que as perdas no agronegócio serão limitadas já que parte considerável da safra de grãos já foi colhida. Segundo ele, ainda era necessário colher 24% da safra de soja, 15% da de milho e 30% da de arroz.
Logística
O problema, disse Luz, será logístico. Com diversos bloqueios nas estradas, o escoamento da produção agrícola pode ser afetado e comprometer uma parte da safra.
“As perdas foram grandes, mas o risco de recessão pode diminuir dependendo da ação do governo federal. Se tivermos acesso a crédito para reconstruir as unidades produtivas urbanas e rurais, as perdas serão limitadas. Mas se tivermos a mesma desatenção que tivemos nos períodos de estiagem e nas enchentes de primavera vamos nos preparar para um PIB de guerra, que significa recessão”, afirmou.
Articulação
Enquanto ainda não é possível entender como será articulação dos governos estaduais, federais e como se dará oferta de crédito para as famílias e empresas, Luz afirmou que as decisões precisam ser tomadas de maneira célere.
“Não é momento de falar de perdas financeiras enquanto tem gente com fome, sem água e esperando resgate em cima dos telhados. Nós vamos precisar de apoio do governo federal, que não tivemos no passado recente”, disse. (Com informações do site Exame)