O estado do Rio Grande do Sul está vivendo um dos seus piores momentos de sua história com as enchentes que trouxeram destruição e morte nas áreas mais atingidas. Num contexto geral, vive-se um clima de guerra, já que muitos estudiosos comparam a nossa situação igual a cidade de Nova Orleans nos Estado Unidos pela reação do furação Katrina que matou milhares de pessoas e deixou um rastro de destruição até os dias de hoje, já que muitas lugares se tornaram inabitáveis após o fenômeno climático.
Para os gaúchos que estão no “olho das tempestades”, a situação é ainda pior, pois cidades estão com água até os telhados das casas, morte dos animais junto as propriedades rurais, perda de fábricas, casas, comércio, trabalho, dignidade e, principalmente, a perda da autoestima de muitos que já haviam passado pela mesma situação nas enxurradas do ano passado, ou seja, o sofrimento é uma constante.
Alto Uruguai
Igualmente o ano de 2023, a região do alto Uruguai também sofreu com o grande volume de chuvas que assolou diversos municípios, sendo o mais atingido, novamente, com grandes perdas, Barra do Rio Azul, visto que possui os rios Rio Azul e o Paloma que com o grande volume da chuva acabam transbordando e alagando a cidade. Neste ano as perdas contabilizam 40% a mais do que em 2023. Outros municípios também foram atingidos, mas em menores proporções.
Ovo de Colombo
Buscando a comparação de Cristóvão Colombo, descobridor da América nos idos de 1400 e do jargão “O ovo de Colombo” o prefeito de Barra do Rio Azul, Marcelo Arruda, numa inciativa inédita no Rio Grande do Sul toma a frente e dá um passo adiante, momento em que mobiliza as universidades locais, URI e UFFS para que, juntos com a administração local, Executivo e Legislativo, formulem um plano de ação para que possa ser feito o mais breve possível, para evitar os grandes alagamentos, ou seja, ampliar o vazão do caminho do rio que passa pela área urbana, como, também inédito no Estado, relocar a cidade para áreas mais seguras e longe da ação das águas.
O início dos trabalhos
Para toda ação existe um início de mobilização e, para tanto, ainda nesta semana Marcelo Arruda manteve um encontro com professores da URI e UFFS ligados as engenharias e meio ambiente para que, in loco, pudessem visualizar a situação local, como para planejar o futuro.
Pontapé
Nesta quinta-feira, 09, junto ao Salão Nobre da URI campus de Erechim o pontapé teve início com a formação de uma equipe de trabalho unindo os Poderes Executivo e Legislativo de Barra do Rio Azul, juntamente com as duas universidades que, a partir de agora irão focar os trabalhos junto aos problemas mais agravantes daquele município. Na condução dos trabalhos, a presença do prefeito de Barra Marcelo Arruda, do Diretor Geral da URI, Paulo Giolo e de pesquisadores.
Linha do tempo
Na abertura dos trabalhos Marcelo Arruda traçou uma linha histórica de seu município com relação as ações da natureza ao longo dos anos, mas que eventos como os que estão acontecendo não tinham ainda sido vivenciados pela população. Para ele, a partir de agora deve-se focar em ações preventivas a curto prazo, pois além do sofrimento da perda, a população está disposta a mudar de local, a exemplo do que aconteceu no município catarinense de Itá para a construção da barragem que leva o mesmo nome.
Olhar para o futuro
“Somos a primeira cidade a olharmos para o futuro com relação a questão de prevenção e preservação da vida e das propriedades, ou seja, o que pode ser feito, através de estudos e projetos, para que possamos evitar novos alagamentos. Sabemos que são projetos onerosos economicamente, mas que devemos tomar esta iniciativa”, garante.
URI
Paulo Giolo destaca que a URI tem mantido reuniões com sua equipe de pesquisadores e professores com relação ao tema proposto pelo prefeito de Barra do Rio Azul. “É desafiador e estamos dispostos a colaborar e elaborar projetos, para tanto foram convocados uma banca de professores para que possam trabalhar juntamente com a Universidade Federal da Fronteira Sul para buscar caminhos e meios. Precisamos de rapidez, principalmente pela liberação dos recursos do Governo Federal”.
UFFS
Equipe da UFFS se colocou totalmente à disposição para formar, a partir de agora, o grupo de trabalhos, desenhar os projetos e viabilizar a sua realização. Para tanto, também destacaram a necessidade de elaborar estudos em maquetes para que se possa projetar a ação do rio agora e nos próximos anos. “Estudar e prevenir o que poderá acontecer logo adiante”. Para os trabalhos, além de estudos, equipe contará com auxílio de um drone para que se possa mapear toda a região urbana e rural do município, principalmente o curso dos rios, o alargamento dos mesmo e a sua vazão final.
Agilidade
Marcelo reforçou que as medidas devem ser rápidas e urgentes e com otimização, principalmente com relação a área urbana que tem sofrido severamente com as enchentes. Um dos questionamentos colocado à mesa de trabalhos, é com relação a grande quantidade de árvores que chegam junto com as águas, e que acabam destruindo postes e outras estruturas
Ainda na oportunidade, Arruda pontuou algumas ações que deverão ser tomadas de imediato, ou seja, num prazo máximo de 15 dias, principalmente com estudos detalhados sobre a vazão dos rios.