A preparação para o início da safra de verão inicia com meses de antecedência, quando o produtor faz a aquisição de sementes, adubos e defensivos, buscando um preço mais acessível. O custo dos fertilizantes já indicava redução de valor, desde outubro de 2023, para esta safra de inverno e a próxima de verão.
A partir disso, as compras dos produtos foram prorrogadas na tendência de preços mais baixos. Segundo Leonardo Ferronato, coordenador comercial de Fertilizantes da Cooperalfa, esse adiamento impactou na logística de envio e distribuição das mercadorias.
Mercado e preços aquecidos
“As produtoras internacionais de matérias-primas de fertilizantes sabiamente interpretaram esses sinais do mercado brasileiro e seguraram os preços, afinal em algum momento a demanda iria aquecer pela questão do prazo logístico de abastecimento. Quando chegou na última hora possível para as importações brasileiras, o mercado realmente aqueceu e as produtoras internacionais de matérias-primas começaram a subir o preço pautadas nessa situação logística”, explicou.
Além do aumento das cifras do mercado internacional, outro fator que potencializou a elevação do custo foi o crescimento do dólar.
Índice de vendas
Conforme dados da Agrinvest, durante os últimos cinco anos, 60% dos volumes de fertilizantes para a safra de verão já haviam sido comercializados no começo do mês de julho. Neste ano, o índice de vendas está em 52%.
“Vale lembrar que as chuvas de maio também prejudicaram a produção de fertilizantes no Rio Grande do Sul devido ao alagamento das plantas produtivas de Canoas. Estas plantas estão retornando a produzir apenas neste mês, ou seja, 75 dias após a tragédia. Isso também impactou na oferta de produtos”, falou Ferronato.
Cenário favorável
Para o consultor, o momento é favorável aos produtores rurais para aquisição dos fertilizantes para a safra de verão, já que a principal dificuldade é a disponibilidade de produto. “Com os atrasos das importações, muitos volumes estão em logística marítima ou ainda não foram expedidos de sua origem, e isso traz riscos a operação, afinal qualquer atraso na logística internacional pode acarretar em atrasos de entregas dos produtos aos agricultores”.
Risco de não chegar a tempo
A orientação é que o agricultor obtenha pelo menos uma parte dos produtos para que não ocorra o risco de não ter as mercadorias no tempo da semeadura e do manejo. “Se o produtor ainda acredita que terão janelas melhores para compras nas próximas semanas, ao menos comprar uma parte dos fertilizantes é oportuno. Desta maneira a indústria e a logística conseguem se planejar, por mais que seja com volumes parciais, e isso facilita toda a cadeia a disponibilizar o produto certo na hora certa”.
Em relação aos preços, de acordo com Ferronato, não há quedas significativas até novembro deste ano.