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Rural

Solos podem levar uma década para recuperar fertilidade

O excesso de chuva nas lavouras causou erosões, classificadas em diferentes graus de ocorrência, e perdas de nutrientes que precisam ser corrigidas

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A força da água resultou em erosões com diferentes graus de ocorrência
Jardes Bragagnolo, professor e responsável técnico do Laboratório de Solos da URI
Por Emerson Carniel
Foto Emerson Carniel

A fertilidade do solo foi levada embora pelo alto volume de chuva que atingiu o Rio Grande do Sul em maio deste ano. Os produtores rurais e técnicos trabalham para a recuperação imediata dos solos atingidos para poderem utilizar as lavouras ainda nesta safra de verão.

Segundo o professor e responsável técnico do Laboratório de Solos da URI-Campus Erechim, Jardes Bragagnolo, existem diferentes cenários de estragos e prejuízos nos solos da região do Alto Uruguai. “Temos pontualmente algumas lavouras que foram mais afetadas, localizadas mais na borda dos rios, onde tiveram problemas de enchente ou de ficarem alagadas, levando uma camada maior de solo fértil”.

Erosões

Em outros locais, a força da água resultou em erosões com diferentes graus de ocorrência. “Pode ser leve, mas prejudicial. Leva embora os nutrientes, matéria orgânica, calcário e a fertilidade que estávamos trabalhando para gerar nesse solo. Esse é um nível de erosão. Depois tem aquelas que formam sulcos, que ficam aparentes e podem se aprofundar, o que dificulta a mecanização e, de forma geral, levam mais solos”.

Diante dessas situações o primeiro manejo a ser feito é a correção da superfície, inclusão de curva de nível e após, é trabalhado a melhoria da fertilidade do solo. O professor cita algumas práticas necessárias para iniciar a recuperação das áreas afetadas pelas chuvas. “Precisamos fazer análise de solo, interpretar como está a fertilidade e fazer as correções conforme a necessidade, que seria o processo natural que deveríamos ter feito antes desse problema das chuvas”.

Condução do manejo

Nas lavouras onde a erosão foi agravada, a condução do trabalho precisa ser diferenciada. “Se trouxermos material para preencher essa superfície, estaremos trabalhando com solos com uma fertilidade menor. Então precisa fazer algo específico para aqueles pontos da lavoura. Esse é o caminho que se deve seguir, tem que ter um olhar um pouco mais sensível, observar cada situação, verificar qual foi o tipo predominante de erosão e buscar fazer as correções”.

As estratégias de recuperação de solo serão feitas em curto, médio e longo prazo. “Dependendo do nível de erosão que se teve, da perda de nutrientes, calcário. É um trabalho que precisamos fazer esse ano ainda e se for uma situação que teve uma erosão mais acentuada é um trabalho de longo prazo. Para recuperar essas áreas, vão levar um, dois até 10 anos para se ter um nível de fertilidade adequado”.

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