A virada do ano traz consigo um simbolismo profundo de renovação e transformação. Muitas pessoas aproveitam esse momento para traçar novos objetivos e metas para sua vida pessoal, profissional, financeira e até amorosa. Porém, é importante refletir sobre a natureza desses desejos e como evitar que eles se tornem ilusões de felicidade, culminando em frustração e insatisfação no final do ano.
De acordo com o psicólogo clínico e professor da URI Erechim, doutor Paulo Kautz, o desejo de mudança é legítimo dentro do processo de evolução pessoal, mas deve ser fundamentado no autoconhecimento e nas necessidades internas. “O desejo, para ser legítimo, precisa de um prazer que realmente tenha a ver com as minhas necessidades internas", explica Kautz. No entanto, ele alerta que a sociedade de consumo massificada, alimentada pelas redes sociais, pode distorcer esses desejos, fazendo com que as pessoas busquem felicidade em padrões impostos por outros.
A ansiedade no processo
Essa constante comparação e a pressão para atingir os padrões de felicidade alardeados nas mídias sociais podem desencadear uma série de problemas emocionais e psicológicos. “Hoje, a ansiedade é um dos maiores males da sociedade”, diz o psicólogo. Quando os desejos não correspondem à realidade interna da pessoa, o resultado é uma busca desenfreada por satisfação imediata, que raramente traz um sentido profundo de realização.
Para evitar a frustração, é essencial que as metas de ano novo sejam realistas e alinhadas com as necessidades internas. Kautz aconselha que as pessoas se concentrem em objetivos tangíveis e divisíveis, celebrando as pequenas vitórias ao longo do caminho. Por exemplo, se o objetivo é emagrecer, o processo deve ser gradual, valorizando as pequenas conquistas diárias, como uma alimentação mais saudável ou uma caminhada.
Importância do autoconhecimento
Além disso, o autoconhecimento se apresenta como uma ferramenta crucial nesse processo. Conhecer as próprias limitações e entender o que realmente é importante para a felicidade individual ajudam a traçar metas que estejam de acordo com a realidade pessoal e não com expectativas externas. “O que vale é não desistir. O fracasso não está em não atingir o objetivo, mas em não tentar”, reforça Kautz.
A ansiedade gerada pela aceleração da vida moderna também tem impacto direto nas metas de fim de ano. O uso excessivo do celular e a exposição constante a redes sociais geram expectativas irreais e alimentam a busca por gratificação instantânea. “O celular não precisa ser descartado, mas precisamos aprender a usar a tecnologia de forma consciente, priorizando o que realmente agrega valor à nossa vida”, sugere o psicólogo.
Ao planejar suas metas para 2025, Kautz orienta que as pessoas escrevam seus objetivos em papel, de forma clara e objetiva. Esse exercício ajuda a trazer as metas para uma perspectiva mais realista, levando em conta as possibilidades concretas de conquista. O especialista finaliza com um conselho importante: “Valorize o que você já conquistou a cada etapa. O sucesso não está apenas no resultado final, mas na jornada que trilhamos para chegar até lá.”