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Rural

Safra de verão no Alto Uruguai inicia com perdas e diminuição de produtividade

Lavouras de soja e milho já sofreram déficit hídrico e prejuízos. Chuvas retornam nesta semana. Fenômeno La Niña perde força na região a partir de janeiro. Se as precipitações voltarem ao normal será possível ainda ter boa produção agrícola na safra 2025/2026

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Cultura de milho já resgistra perdas
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Ígor Dalla Rosa Müller

As mudanças climáticas são reais e afetam, sobremaneira, a maneira como a população vive do campo à cidade. Nos últimos 30 anos, diversos desastres naturais atingiram Erechim, conforme informações da série histórica da Defesa Civil de Erechim, de 1991 até 2024, e o fenômeno mais recorrente foi a estiagem, seca, com registros em oito ocasiões, março de 1991, janeiro de 2002, junho de 2004, janeiro de 2005, março de 2009, fevereiro de 2012, maio de 2020 e novembro de 2022. O verão inicia, neste domingo (21) e quais serão as projeções climáticas para 2025/2026 e os impactos no setor agropecuário?

Meteorologia

Segundo o analista do Laboratório de Meteorologia da Embrapa Trigo de Passo Fundo, Aldemir Pasinato, o fenômeno La Niña está atuando na região Sul e isso representa chuva abaixo da média e temperaturas um pouco mais baixas. “Neste ano, o La Niña foi de intensidade fraca a moderada. O pico do fenômeno ocorreu entre novembro e dezembro, entre 17 de novembro e 9 de dezembro, num período de 20 dias”, explica. Ele acrescenta que a cultura do milho semeada no início da época de plantio já teve um estresse hídrico grande.

Conforme o analista do Laboratório de Meteorologia da Embrapa, alguns modelos meteorológicos já indicam uma transição do fenômeno La Niña, no primeiro trimestre de 2026, janeiro, fevereiro e março. “Ele começa a perder influência sobre o clima da região e entra num período de neutralidade, com o retorno das chuvas de forma um pouco mais frequente”, observa Aldemir. 

No entanto, ele acrescenta que a região ainda vai ter períodos com chuva irregular, mas, principalmente, pela característica da estação verão, com pancadas. “De forma geral, ela retorna com mais frequência, principalmente, na região Norte, no Alto Uruguai. A projeção é que as precipitações voltem a ficar próximas da média. A tendência é que as culturas de verão tenham uma boa produtividade se isso vier a se confirmar”, comenta. Com relação à temperatura, a tendência é que se tenha um janeiro mais quente.

Dezembro de 2025

Nos próximos dias de dezembro, a região vai ter uma sequência de chuvas em, praticamente, todos os dias. “Nestes últimos 10 dias deste mês, vamos ter o retorno das chuvas, começando a partir deste domingo (21), segunda-feira (22), com vários dias seguidos até a virada do ano. Poderemos ter em torno de 80 milímetros ou até acima disso em alguns locais nos próximos dias”, observa.

Conforme Aldemir, para a safra 2025/2026, em termos climáticos, importante ressaltar que haverá transição do fenômeno La Niña para neutralidade, a volta das chuvas frequentes, dentro da normalidade, e com isso um bom desenvolvimento das culturas de verão. “O clima deve contribuir para produção agrícola”, ressalta.

Alto Uruguai

Segundo o assistente técnico regional em Culturas da Emater/RS-Ascar, engenheiro agrônomo, Luiz Ângelo Poletto, na região Alto Uruguai, foram plantados 39.902 hectares de milho, aumento de mais de 5.32% em relação à safra passada. O milho para silagem tem 18.350 hectares plantados na região, crescimento de 3.25% em relação ao ano anterior. “Não chega ainda a 60 mil hectares de milho silagem e milho grão na região. Esta cultura que não está crescendo, nos últimos anos, em virtude, também, da expansão da soja”, observa.

Perdas

O engenheiro agrônomo ressalta que o milho já tem perdas na safra, deste ano, em decorrência de falta de chuva, principalmente, dos municípios que plantaram mais cedo, mas é difícil estimar o percentual. A previsão é colher, em média, 8.745 quilos por hectare de milho grão, em torno de 145 sacos pro hectare. “Temos lavouras muito boas, que não tiveram problemas, e os produtores vão colher 150, 160, 170 sacos por hectare nesta região de Erechim para baixo, no Alto Uruguai”, comenta.

Na região de Erechim para cima, acrescenta Poletto, já ocorreu um processo de estiagem de praticamente 30 dias. “Está difícil de avaliar, mas vamos ter perdas, de 10% a 15% já está certo, em alguns municípios até mais do que isso, resultado de 30 dias de sol forte, aliado a isso, a chuva de pedra que atingiu alguns municípios e a cultura do milho. Assim, a nossa média ficaria em torno de 135 sacos por hectare, por aí”, comenta.

Soja

Conforme Poletto, a cultura da soja teve 1% de redução de área plantada nesta safra 2025/2026, ou seja, 4 mil hectares a menos que a safra anterior, ficando em 251.510 hectares na região Alto Uruguai. “A expectativa era colher 62 sacos por hectare e estávamos prevendo um pouco mais de produtividade do que a última safra, que foi de 60 sacos por hectares, em média. No entanto, houve estresse hídrico, atraso no plantio, frio, tudo isso prejudicou as lavouras. O plantio foi feito muito tarde, neste ano, e quanto mais tarde ele é feito, fora do período adequado, se perde um saco por hectare de produtividade”, explica o engenheiro agrônomo.

“Nós não temos ainda uma expectativa real. Houve uma boa melhora com a ocorrência das últimas chuvas. A persistir o tempo bom ainda acreditamos que vamos ter uma safra com um pouquinho de perdas, mas ainda boa, chegando a 57sacos, 58 sacos de média regional por hectare, se as condições de tempo normalizar a partir de agora”, observa Poletto.

Poletto afirma que há previsão de chuvas boas para esta semana e isso vai ajudar as lavouras. No entanto, muitos produtores utilizaram neste ano sementes próprias de soja e, às vezes, elas não têm a qualidade recomendada. “Muitos não adubaram a lavoura de soja, como nos anos anteriores, colocando adubação em torno de 30% a 40% menor do que anos normais, então, isso tudo pode influenciar na produtividade”, destaca.

Crédito

Ele ressalta que muitos produtores não conseguiram crédito nesta safra para plantar, não financiaram as lavouras e, assim, não tem seguro. “É uma situação muito diferente do que de outros anos. Nesta época todo mundo já tinha conseguido crédito, financiado com Pronaf, no entanto, tem muita gente à espera de crédito e já plantou, ou indo nos comerciantes, fazendo contratos de pagamento dos insumos em troca de grão", afirma Poletto.

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