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Saúde

Sexualidade feminina se transforma ao longo da vida e segue presente após os 60 anos

Especialista explica efeitos hormonais, opções de cuidado e caminhos para manter o bem-estar íntimo na maturidade

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Informação, cuidado e diálogo são fundamentais para garantir bem-estar e qualidade de vida sexual ta
Para a ginecologista e obstetra Amanda Favero Soccol, “a sexualidade não se encerra com a idade, ela
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Divulgação e Arquivo Pessoal/Amanda Favero Soccol

A menopausa marca uma fase de transição importante na vida da mulher e traz consigo mudanças hormonais que podem impactar diretamente a sexualidade, especialmente após os 60 anos. Embora ainda cercada de tabus, essa etapa não significa o fim da vida sexual e sim uma transformação que exige informação, acompanhamento e, muitas vezes, tratamento adequado.

Mudanças hormonais e impacto na libido

A principal alteração da menopausa é a queda significativa dos níveis de estrogênio e dos andrógenos ovarianos, incluindo a testosterona. Esses hormônios desempenham papel fundamental na resposta sexual feminina e sua redução pode gerar efeitos físicos e emocionais relevantes.

Segundo a ginecologista e obstetra Amanda Favero Soccol, “a gente tem que considerar que a libido feminina é um conjunto de coisas que influenciam, não somente, a questão hormonal”, embora reconheça que esse fator tem peso importante nessa fase. A diminuição hormonal pode levar ao chamado hipoestrogenismo vaginal, caracterizado por ressecamento, além de alterações de humor, como irritabilidade, que também interferem no desejo sexual.

O papel do estrogênio e da testosterona

Os hormônios atuam de maneiras diferentes na resposta sexual. A queda do estrogênio está mais associada a alterações físicas, especialmente à lubrificação vaginal, “deixando às vezes a vagina mais ressecada e por conta disso acaba dando mais desconforto na hora da relação, mais dor, o que ocasiona, por consequência, uma diminuição de libido”, explica a médica.

Já a testosterona está mais relacionada ao desejo sexual em si e sua redução pode levar ao chamado desejo sexual hipoativo, condição em que há diminuição persistente do interesse sexual.

Vida sexual após os 60

A ideia de que a vida sexual piora inevitavelmente após os 60 anos não corresponde à realidade clínica. Para Amanda, o mais adequado é entender essa fase como uma mudança, não como uma perda. “A nossa vida sexual depois de 60 anos, no período do climatério, depois que a gente parou de menstruar, tem uma mudança, sim. Mas isso não quer dizer ou não condena que vai piorar a vida sexual”, afirma.

A médica ressalta que sintomas como dor durante a relação não devem ser considerados normais e precisam ser investigados e que com acompanhamento adequado, é possível manter uma vida sexual ativa e satisfatória.

Sintomas que mais interferem na sexualidade

Entre os principais fatores físicos que afetam a sexualidade está a síndrome geniturinária da menopausa, uma condição crônica ligada à queda do estrogênio, que provoca sintomas como dor na relação, diminuição da lubrificação, ardência e coceira. Além disso, manifestações comuns da menopausa, como fadiga, ondas de calor e insônia, também impactam a disposição e o interesse sexual.

Terapia hormonal

A terapia de reposição hormonal pode ser uma aliada, mas não é indicada exclusivamente para tratar a libido. “Então a gente tem a terapia de reposição hormonal para melhora sim do desejo sexual, mas não especificamente só para isso, a gente engloba o todo”, explica Amanda.

Diretrizes médicas indicam que o tratamento deve considerar o conjunto de sintomas e o perfil da paciente. A chamada “janela de oportunidade” sugere melhores benefícios quando a terapia é iniciada antes dos 60 anos ou até 10 anos após a menopausa.

“Já a testosterona pode ser usada sim, mas sempre com cautela, em um único caso de desejo hipoativo e em uma dose fisiológica e na via transdérmica”, destaca a médica, alertando para a necessidade de controle rigoroso e acompanhamento profissional.

Alternativas não hormonais

Para mulheres que não podem ou não desejam utilizar hormônios, há outras opções eficazes. A fisioterapia pélvica tem apresentado bons resultados no tratamento da dor durante a relação, além disso, hidratantes vaginais, laser e radiofrequência são alternativas que ajudam a melhorar a saúde vaginal.

Fatores emocionais e sociais

A libido feminina não depende apenas de fatores biológicos, os aspectos emocionais, autoestima, qualidade do relacionamento e questões culturais exercem forte influência, especialmente após os 60 anos.

“Acho que a gente ainda tem isso muito presente hoje em dia, é um tabu falar sobre sexo ou desejo sexual da mulher acima dos 60 anos”, afirma Amanda, que enfatiza que “é importante a gente trazer muito esse assunto à tona e deixar de ser um tabu falar disso, porque é importante, essa mulher tem direito de ter prazer também nessa fase”.

Segurança da reposição de testosterona

Embora possa ser útil em casos específicos, o uso de testosterona exige cautela, pois “ainda não há muito estudo robusto com segurança a longo prazo”, alerta a médica. Ela também destaca os possíveis efeitos colaterais, como acne, aumento de pelos e alterações na voz. Formulações não padronizadas ou em doses elevadas não são recomendadas, devido ao maior risco de efeitos adversos.

Avaliação e diagnóstico

O diagnóstico da diminuição da libido não se baseia apenas em exames laboratoriais, a avaliação clínica detalhada é essencial, considerando histórico de saúde, uso de medicamentos, contexto emocional e qualidade da relação.

“O processo então é investigar todas essas queixas que a mulher tem, ver o que mudou para a gente conseguir chegar no diagnóstico”, explica Amanda, ressaltando que níveis hormonais isolados não determinam o quadro.

Sexualidade não tem prazo de validade

Por fim, a especialista frisa que “a sexualidade não se encerra com a idade, ela não tem prazo de validade, ela muda de forma”. Segundo ela, o prazer pode e deve estar presente em todas as fases da vida. Amanda também orienta que as mulheres não devem conviver com desconfortos ou dores, pois “a gente tem tratamento para todos eles e consegue proporcionar uma qualidade de vida sexual adequada para ela”, conclui.

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