A dor no ombro foi tema de dissertação da mestranda Gabriela Busin, orientada pelo professor Dr. Arnaldo Nogaro, no Programa de Pós-Graduação em Atenção Integral à Saúde da URI Erechim. A defesa da pesquisa foi realizada no dia 8 de abril e abordou a ocorrência dessas lesões na prática clínica.
O estudo teve como objetivo avaliar o impacto das afecções do manguito rotador em pacientes da região Norte do Rio Grande do Sul, com ênfase na cinesiofobia, caracterizada como o medo persistente de realizar movimentos ou atividades físicas. Para a análise, foi utilizada a Escala de Tampa para Cinesiofobia (TSK-17).
A pesquisa envolveu 62 pacientes com diagnóstico clínico e/ou por imagem, atendidos no Ambulatório de Cirurgia do Ombro da Fundação Hospitalar Santa Terezinha, em Erechim, e em uma clínica privada de ortopedia do município.
Os dados indicaram a presença de cinesiofobia em 93,5% dos participantes. Conforme a mestranda Gabriela Busin, “o estudo demonstra que o nível de medo persistente de movimentos ou atividades físicas (cinesiofobia) é um fator psicossocial extremamente presente em pacientes com afecções do manguito rotador no Norte do Rio Grande do Sul. Isso serve de alerta para se pensar em abordagens terapêuticas que considerem explicitamente os aspectos psicossociais da doença, integrando educação em saúde, terapia cognitivo-comportamental e educação em neurofisiologia da dor nos programas de reabilitação destes pacientes.”
Ainda de acordo com a pesquisadora, “é de extrema importância que estes pacientes tenham acesso a programas multiprofissionais de reabilitação, que oferecem além do atendimento médico, um atendimento fisioterapêutico e psicológico para melhor enfrentamento da dor. Infelizmente, a maioria destes pacientes, principalmente do Sistema Único de Saúde (SUS) não oferecem esses serviços à população.”
O orientador do estudo, professor Dr. Arnaldo Nogaro, também comentou sobre os resultados. “Como se trata de uma doença que atinge um grupo significativo de pessoas, o estudo demonstra que há necessidade de pensar em abordagens terapêuticas que possam ser empregadas, especialmente em pacientes que são atendidos no Sistema Único de Saúde, pelas suas características biopsicossociais.”