A anemia ferropriva, também chamada de anemia infantil, é a forma mais comum da doença e uma das principais preocupações na primeira infância. Nos primeiros anos de vida, o crescimento acelerado eleva a demanda por ferro, mineral essencial à produção de hemoglobina, responsável pelo transporte de oxigênio no organismo. Quando há deficiência, esse processo é comprometido, afetando diretamente o desenvolvimento infantil.
Os sinais mais frequentes incluem palidez, cansaço, menor interesse por brincadeiras e atividades escolares, além de taquicardia. Em casos mais graves, a condição pode evoluir para complicações importantes e até levar à morte. Considera-se anêmica a criança de 6 meses a 5 anos com hemoglobina abaixo de 11 g/dL. No entanto, mesmo antes desse limite, a falta de ferro já pode prejudicar o desenvolvimento cognitivo e a regulação da temperatura corporal.
No país, a situação ainda preocupa. Dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani 2019) mostram que uma em cada cinco crianças entre 6 meses e 2 anos apresenta anemia ferropriva. Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância de uma alimentação equilibrada e, em muitos casos, da suplementação preventiva de ferro.
Aleitamento materno e primeiros meses
Nos primeiros meses de vida, o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses é a principal estratégia de prevenção para bebês nascidos a termo e com peso adequado. O leite materno possui ferro de alta biodisponibilidade, o que favorece sua absorção pelo organismo.
Bebês prematuros ou com baixo peso podem necessitar de suplementação de ferro. Quando a amamentação não é possível, fórmulas infantis são alternativas indicadas. Já o leite de vaca integral deve ser evitado no primeiro ano de vida, pois contém pouca quantidade de ferro e pode estar associado a riscos metabólicos.
Introdução alimentar e fontes de ferro
A partir dos 6 meses, a introdução alimentar torna-se um momento decisivo na prevenção da anemia. Além da continuidade do leite materno ou fórmula, recomenda-se a oferta de alimentos variados e ricos em ferro.
Carnes, frango e peixe são fontes de ferro de alta absorção. Em dietas vegetarianas, alimentos como feijão, beterraba, folhas verde-escuras e outras leguminosas podem contribuir, sempre com acompanhamento profissional para garantir o equilíbrio nutricional.
A rotina alimentar inclui, em geral, duas refeições principais (almoço e jantar) e dois lanches com frutas ao longo do dia.
O que deve ser evitado, é o consumo de alimentos ultraprocessados, apesar da praticidade e da maior aceitação por parte das crianças esses produtos, geralmente são pobres em nutrientes e podem contribuir para deficiências nutricionais.
Alimentação, preparo e formação do paladar
Alimentos ultraprocessados devem ser evitados, pois são pobres em nutrientes e podem favorecer deficiências nutricionais. A preferência deve ser por alimentos naturais e variados.
O preparo das refeições deve ser simples, com uso de temperos naturais como alho, cebola, tomate e ervas. O sal deve ser evitado até os 2 anos de idade, e o açúcar não deve ser adicionado às preparações.
Apesar de crenças comuns, o uso de panelas de ferro não é uma estratégia eficaz para prevenção da anemia, já que o ferro liberado não é bem absorvido pelo organismo.
A aceitação alimentar pode ser um desafio. A repetição é parte do processo: especialistas recomendam oferecer o mesmo alimento diversas vezes, com diferentes preparos, antes de concluir a rejeição. O paladar infantil se forma gradualmente e exige paciência.
Diagnóstico e tratamento
Mesmo com orientações adequadas, fatores sociais e econômicos ainda dificultam a prevenção da anemia, como acesso limitado a alimentos nutritivos e substituições inadequadas ao leite materno.
Em casos de sintomas como palidez, fadiga excessiva, sonolência, falta de ar ou palpitações, é essencial procurar atendimento médico. O diagnóstico é feito por exame de sangue, e o tratamento pode incluir suplementação de ferro e ajustes na alimentação.
A anemia ferropriva na infância é, na maioria dos casos, evitável. No entanto, exige atenção contínua dos responsáveis e acompanhamento profissional para garantir o desenvolvimento saudável e pleno das crianças.