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Quando o sonho do diploma divide espaço com a maternidade

Histórias de estudantes de graduação e pós-graduação mostram como a criação dos filhos, a rotina doméstica e a formação acadêmica se cruzam em diferentes momentos da vida

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Suélen, Paola e Isabela.jpeg
Por Gabriela de Freitas
Foto Arquivo pessoal

A maternidade alterou rotinas, adiou projetos e exigiu reorganizações na vida acadêmica de Leila Hausen, Suélen Pawelkiewicz e Roberta Malinowski. Em comum, as três compartilham a experiência de conciliar estudos, trabalho e responsabilidades familiares em diferentes etapas da formação universitária.

Formamos um verdadeiro time no dia a dia”

Leila Hausen, de 41 anos, cursa o 9º semestre de Direito na Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), em Erechim. Mãe de Rafael, de 15 anos, e Felipe, de 11, ela iniciou a graduação depois de já ter constituído família.

Atualmente, divide a rotina entre as aulas pela manhã, o estágio na Justiça Federal durante a tarde e os estudos para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e para o exame da OAB, no qual já foi aprovada. “A rotina é bastante intensa, por isso a organização precisa ser rigorosa”, relata.

Segundo ela, os filhos participam ativamente da dinâmica da casa. “Formamos um verdadeiro time no dia a dia, sempre nos ajudando mutuamente.”

Leila também fala sobre a importância da rede de apoio formada por familiares e amigas para auxiliar nos deslocamentos e compromissos dos filhos.

Todos os momentos que eu tinha disponíveis, eu estava estudando”

Suélen Pawelkiewicz, de 36 anos, cursa o 9º período de Licenciatura em História na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), campus Erechim. Mãe de Paola, de 14 anos, e Isabela, de 8, ela ingressou na universidade em 2022, após anos adiando o sonho da graduação.

“Quando a universidade chegou na nossa região, eu já era mãe da Paola, e pouco depois veio a Isabela. O sonho da graduação foi sendo adiado”, conta.

Durante grande parte do curso, conciliou a graduação com o trabalho em uma farmácia. Hoje, atua como bolsista do PIBID, realiza estágios obrigatórios e participa de atividades ligadas à Livraria & Sebo Agridoce. “Todos os momentos que eu tinha disponíveis, eu estava estudando”, afirma.

Ela relata que precisou adaptar constantemente a rotina da casa aos horários das filhas e às demandas acadêmicas. Em alguns momentos, chegou a levar as crianças para a universidade. “Muitas vezes precisei levar minhas filhas para dentro da sala de aula, e elas foram muito bem acolhidas”, diz.

Precisei aprender a aceitar meu novo ritmo”

A professora Roberta Malinowski, de 42 anos, cursa o 3º semestre do Doutorado em Ciência e Tecnologia Ambiental na UFFS Erechim. Ela é mãe de Daniel, 9 anos, e atua como assessora do Setor de Vantagens da Carreira da 15ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE).

Roberta conta que interrompeu a graduação em Arquitetura e Urbanismo ao descobrir a gravidez. “Era um curso que exigia muita dedicação prática e presencial. Naquele momento, entendi que precisava priorizar minha saúde e a do meu filho”, relata.

Anos depois, buscou alternativas em cursos a distância e retomou a vida acadêmica presencial em 2024, ao ingressar no doutorado, 17 anos após concluir o mestrado.

Hoje, divide a rotina entre o trabalho em dois turnos e os estudos realizados à noite e nos finais de semana. “Precisei aprender a aceitar meu novo ritmo e entender que nem tudo sairia da forma como eu gostaria”, afirma.

Ela conta que a principal dificuldade atualmente é encontrar tempo para desenvolver as pesquisas e a escrita da tese. Apesar dos desafios, Roberta relaciona a permanência na pós-graduação à importância da produção científica e da presença das mulheres na academia.

“Acredito na importância da inclusão das mulheres e mães com maior equidade na ciência”, conclui.

Cada conquista carrega muitas histórias”

Apesar das diferenças nas trajetórias, as três entrevistadas relacionam a formação acadêmica a processos de transformação pessoal construídos ao longo dos anos. Entre aulas, trabalho, maternidade e rotina doméstica, a permanência na universidade passou a representar também resistência, adaptação e realização profissional.

“Conciliar maternidade, estudos e rotina não foi fácil, mas foi profundamente transformador”, afirma Leila Hausen.

Para Suélen Pawelkiewicz, a graduação representa a concretização de um projeto antigo. “Esse diploma carrega cada dificuldade enfrentada, mas também cada pequena conquista”, diz.

Já Roberta Malinowski salienta que é importante respeitar os próprios limites e trajetórias. “Cada mãe vive realidades diferentes. É importante aprender a aceitar o próprio ritmo”, ressalta.


 

 

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