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Abelhas: as guardiãs silenciosas da vida

Apicultor Pedro Roberto dos Santos, de Marcelino Ramos, alerta para a preservação e destaca o papel essencial da espécie na produção de alimentos, equilíbrio ambiental e manutenção da vida

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Por Carlos Silveira
Foto Arquivo pessoal

 O zumbido das abelhas talvez seja um dos sons mais importantes da natureza. Pequenas, organizadas e incansáveis, elas carregam uma missão vital para a existência da vida na terra, a polinização. Sem elas, boa parte dos alimentos deixaria de existir, florestas perderiam capacidade de regeneração e o equilíbrio ambiental sofreria um colapso silencioso. No Dia Mundial da Abelha, nada melhor do que falar sobre elas.

 No Rio Grande do Sul, especialmente em regiões agrícolas como o Alto Uruguai, cresce a preocupação com a mortandade de abelhas e a redução das populações de polinizadores. Apicultores relatam perdas significativas de colmeias nos últimos anos, cenário que mobiliza pesquisadores, ambientalistas e produtores rurais.

 O problema não é novo, mas vem se agravando. Estudos e levantamentos apontam que fatores como o uso inadequado de agrotóxicos, desmatamento, mudanças climáticas e perda de biodiversidade estão entre as principais causas da diminuição das colônias.

 Segundo especialistas ligados à cadeia apícola gaúcha, o uso incorreto de pesticidas, especialmente aplicações durante períodos de florada, pode dizimar milhares de abelhas em poucas horas. Há relatos de colmeias inteiras encontradas mortas após pulverizações em lavouras próximas. O debate já chegou a órgãos federais e entidades do setor agropecuário.

 Apesar dos desafios, a apicultura continua sendo uma atividade importante para a economia gaúcha. O Rio Grande do Sul figura entre os maiores produtores de mel do Brasil, movimentando milhares de famílias no campo. Em 2026, inclusive, as condições climáticas favoreceram a produção em diversas regiões do Estado, com colmeias mais populosas e floradas intensas.

O verdadeiro valor das abelhas vai muito além do mel

 Especialistas estimam que cerca de 75% das culturas alimentares do mundo dependem, ao menos parcialmente, da polinização feita por insetos. Frutas, legumes, sementes, café e inúmeras espécies vegetais precisam das abelhas para se reproduzir. Sem elas, a produção agrícola cairia drasticamente, os preços dos alimentos disparariam e muitos ecossistemas perderiam sua capacidade natural de renovação.

 Quando uma abelha pousa em uma flor, ela transporta pólen de uma planta para outra, permitindo a reprodução vegetal. É um trabalho invisível, mas essencial. Sem esse ciclo, árvores deixam de produzir frutos, animais perdem fontes de alimento e cadeias inteiras da natureza entram em desequilíbrio.

 No Alto Uruguai, onde agricultura e natureza convivem lado a lado, o tema ganha ainda mais relevância. Pequenos produtores rurais, meliponicultores e apicultores defendem maior conscientização sobre o uso responsável de defensivos agrícolas, preservação de matas nativas e incentivo à criação de abelhas sem ferrão, fundamentais para a polinização regional.

Pedro Roberto dos Santos

 Entre os defensores da preservação está o apicultor Pedro Roberto dos Santos, proprietário da Santo Mel, no município de Marcelino Ramos. Há anos convivendo diariamente com os apiários, ele acompanha de perto as mudanças no comportamento das colmeias e os impactos sofridos pela espécie.

 “Falar sobre abelhas é gratificante, é nobre, pela importância delas na polinização, na preservação do meio ambiente, das matas nativas e de diversas árvores. Sabemos que elas influenciam em até 40% na produção de grãos e frutas”, destaca.

 Pedro ressalta que a responsabilidade pela sobrevivência das abelhas é coletiva, mas também exige atenção permanente dos próprios apicultores. Segundo ele, durante períodos de frio e chuva, é fundamental monitorar a alimentação das colmeias e manter os apiários limpos para evitar problemas com formigas, traças e outras ameaças.

 “Nós devemos a elas o cuidado com o uso de agrotóxicos e inseticidas. O apicultor precisa acompanhar como está o alimento das caixas nas épocas mais difíceis do ano. Em anos anteriores tivemos perdas gigantes justamente nesta época, principalmente em áreas próximas de lavouras e plantações frutíferas”, relata.

 Com a chegada do inverno, cresce novamente a apreensão no setor. O frio intenso pode comprometer o desenvolvimento das colônias, principalmente quando somado à escassez de floradas e às mudanças ambientais.

 “Vamos ver este inverno que está entrando, porque é justamente nesta época que ocorre a maior mortalidade. Precisamos cuidar deste inseto tão importante, porque se as abelhas se forem, a humanidade também se vai. As sementes das árvores não irão mais vingar e não teremos mais natureza”, alerta o apicultor.

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