De acordo com o IBGE, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil acelerou no primeiro trimestre do ano ante o 4º trimestre de 2025, crescendo 1,1%. Com isso, totalizou R$ 3,23 trilhões em valores correntes. Frente ao 1º trimestre de 2025, o crescimento do PIB foi de 1,8%, acumulando alta de 2,0% em quatro trimestres, desacelerando antes os 2,3% de 2025.
Na comparação com o trimestre anterior, pelo lado da oferta, o maior destaque foi a Agropecuária, com aumento de 2,0%, enquanto a Indústria cresceu 1,0% e os Serviços, 0,5%. Na Indústria, o resultado foi puxado pela Extrativa (3,6%) e pela Construção (2,9%), enquanto a Transformação ficou praticamente estável (0,1%). Nos Serviços, Informação e Comunicação (2,4%), Atividades Imobiliárias (1,2%) e Outras atividades de serviços (0,8%) – que incluem os serviços às famílias – foram as maiores influências; Comércio (+0,6%) e Administração pública (+0,4%) também contribuíram positivamente, enquanto Transportes (-0,7%) e Atividades Financeiras (-0,6%) recuaram.
Pelo lado da demanda, também ante o 4º trimestre de 2025, apesar da maior alta em Formação Bruta de Capital Fixo (3,5%), o resultado apenas recupera o recuo do trimestre anterior (-3,4% no no 4º trimestre de 2025) e fica aquém do 1º trimestre de 2025.
O destaque, portanto, fica por conta da forte aceleração no Consumo das Famílias, com avanço de 1,0% (0,2% no 4º trimestre de 25) em virtude de medidas de forte estímulo à renda e creditícias; o Consumo do Governo variou 0,4%. No Setor Externo, as Exportações recuaram 1,7% e as Importações aumentaram 4,4%.
Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, a alta de 1,8% do PIB resultou das elevações em Serviços (2,1%) – com alta em todas as atividades, mas maior influência de outras atividades de serviços (2,4%) e menor de Transportes (0,7%), seguida de Comércio (1,0%) e Administração Pública (1,1%) – e da Indústria (1,6%), puxada sobretudo pela Extrativa (13,1%).
Agropecuária teve alta de 0,7%. Pela ótica da demanda, também ante o 1º trimestre de 2025, o Consumo das Famílias cresceu 1,7% e o do Governo, 2,8%. A Formação Bruta de Capital Fixo recuou 1,4%. No setor externo, as Exportações aumentaram 7,4%, enquanto as Importações cresceram 1,2%.
O resultado do PIB do primeiro trimestre mostra uma aceleração que, além de ser em parte puxada por setores menos sensíveis ao ciclo – Agropecuária e Indústria Extrativa – também teve contribuição de setores mais sensíveis aos juros – Construção, Outras atividades de serviços, Comércio –, pois apesar da taxa Selic ainda elevada, contaram com impulsos de demanda advindos de política fiscal e de estímulo ao crédito.
Tanto que o resultado desses segmentos que dependem do consumo das famílias era amplamente esperado, justamente porque o início do ano contou com uma série de medidas de ampliação da renda e da capacidade de consumo das famílias (reajuste real do salário-mínimo, desconto do IRPF para rendas de até R$ 5 mil e progressivo até R$ 7,35 mil, ampliação teto MCMV, crédito para reforma etc.).
Tamanho foi o impulso agregado que o crescimento do consumo das famílias foi de 1,7% ante o primeiro trimestre de 2025, período que já contava com elevada base de comparação por uma série de medidas de ampliação à renda .
Para o restante do ano, semelhante à dinâmica de 2025, a atividade econômica deve perder força – por mais que algumas medidas possam contribuir para algum fôlego ao consumo no curto prazo diante do grande anseio por estímulos pelo poder executivo dado o ano eleitoral. A questão é que, se mesmo com alguns setores da economia superestimulados a desaceleração em curso da atividade econômica nos segmentos mais sensíveis aos juros (a Indústria de Transformação, como o maior exemplo) estava dando espaço para um ciclo de cortes razoáveis da Selic, agora, com os efeitos e incertezas do conflito no Oriente Médio, o afrouxamento da política monetária deve ser menor, com Selic tendendo a estacionar antes do previsto no início de 2026.