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Saúde

Nutrição oncológica influencia positivamente durante o tratamento

Especialista explica como o acompanhamento contribui para enfrentar terapias, reduzir complicações e favorecer a recuperação

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Andreia lembra que as refeições são um momento de autocuidado, onde alimentar-se vai além de nutrir
Andreia lembra que as refeições são um momento de autocuidado, onde alimentar-se vai além de nutrir
Andreia lembra que as refeições são um momento de autocuidado, onde alimentar-se vai além de nutrir
Andreia lembra que as refeições são um momento de autocuidado, onde alimentar-se vai além de nutrir
Andreia Oleksinski Mach
Rafaela Utteich
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Arquivo Pessoal/Andreia Oleksinski Mach e Arquivo Pessoal/Rafaela Utteich

Ainda é comum que o trabalho do nutricionista seja associado apenas ao emagrecimento ou às restrições alimentares. No entanto, na oncologia, o acompanhamento nutricional integra o cuidado ao paciente desde o diagnóstico e pode contribuir para a condução do tratamento, o manejo dos sintomas e a recuperação.

A nutricionista especialista em oncologia Rafaela Utteich explica que a avaliação nutricional realizada no início do tratamento permite identificar riscos como desnutrição, perda de massa muscular e dificuldades alimentares, muitas vezes presentes antes mesmo da confirmação da doença. "O objetivo é garantir que o paciente tenha condições adequadas para enfrentar cirurgias, quimioterapia, radioterapia e outros tratamentos, contribuindo para a manutenção da força, imunidade e qualidade de vida", afirma.

Essa necessidade de orientação especializada também foi percebida pela paciente oncológica Andreia Oleksinski Mach, diagnosticada com câncer de mama aos 49 anos. Ela já havia realizado acompanhamento nutricional cerca de dez anos antes, quando passou por um processo de reeducação alimentar. "Fiz reeducação alimentar e aprendi muito. Na verdade, a gente aprende a selecionar o que come e escolher melhor o que vai no prato", relata.

Após o diagnóstico, ela decidiu buscar uma nutricionista especializada em oncologia para esclarecer dúvidas relacionadas à alimentação durante o tratamento. "Busquei uma avaliação nutricional, e iniciei a rotina oncológica, com o acompanhamento de uma nutricionista oncológica que nesse caso tem conhecimento amplo no tipo de câncer, conhece as medicações, os tratamentos específicos e as possíveis reações que cada tratamento pode trazer e me apresentou um mundo de possibilidades em meio ao caos que é viver o tratamento do câncer", explica.

Alimentação e resposta ao tratamento

De acordo com Rafaela, o acompanhamento nutricional iniciado precocemente está associado a melhores desfechos clínicos. Pacientes com estado nutricional adequado tendem a tolerar melhor os tratamentos, apresentam menor risco de complicações, menos interrupções terapêuticas e recuperação mais rápida. Além disso, uma alimentação adequada auxilia na preservação da massa muscular, na disposição e no controle de sintomas que interferem na qualidade de vida.

Na experiência de Andreia, a orientação nutricional esteve presente durante as diferentes etapas do tratamento. "O acompanhamento nutricional foi um dos meus grandes pilares de bem estar, meu suporte para seguir nutrindo o corpo e a mente também", lembra.

Segundo ela, o planejamento alimentar era ajustado conforme a fase do tratamento, considerando exames, necessidades nutricionais e suplementação quando indicada. Também recebeu orientações para o período das sessões de quimioterapia, incluindo manejo de náuseas, funcionamento intestinal, fadiga e alimentação relacionada à prática de exercícios físicos.

Estratégias para lidar com os efeitos do tratamento

Os efeitos adversos provocados pelos tratamentos oncológicos variam conforme cada paciente e exigem condutas individualizadas. Entre as estratégias utilizadas pelos nutricionistas estão adaptações na consistência dos alimentos, fracionamento das refeições, aumento da densidade calórica e proteica das preparações e ajustes de temperatura e temperos em casos de alteração do paladar.

"O mais importante é que o paciente não enfrente esses sintomas sozinho, pois existem diversas intervenções nutricionais capazes de minimizar os impactos no estado nutricional", destaca Rafaela.

Andreia afirma que, durante o tratamento, contou com orientação para enfrentar os sintomas conforme eles surgiam. "Com certeza absoluta foi essencial para conseguir seguir nas etapas necessárias. O tratamento oncológico ele é pesado, exige demais do nosso organismo, o nosso metabolismo fica parece lento demais", diz.

Ela também passou por uma mastectomia bilateral e, posteriormente, por um seroma tardio e nesse meio tempo teve algumas intercorrências “e consegui passar por mais esse processo com a alimentação dando suporte essencial tanto na cicatrização, quanto no manejo da massa muscular", relata.

Cuidados antes da cirurgia e no pós-tratamento

Além do acompanhamento durante quimioterapia e radioterapia, Rafaela explica que a preparação nutricional para cirurgias oncológicas também influencia a recuperação. Segundo ela, pacientes que chegam ao procedimento em melhores condições nutricionais apresentam menor incidência de complicações, menor tempo de internação e recuperação mais rápida. Dependendo do quadro clínico, podem ser adotadas estratégias específicas para otimizar as reservas nutricionais antes da cirurgia e favorecer a cicatrização.

Após o término do tratamento, os cuidados com a alimentação permanecem importantes. O foco passa a ser a recuperação da composição corporal, a correção de possíveis deficiências nutricionais, o controle de efeitos tardios do tratamento e a prevenção de outras doenças crônicas ou recidivas.

A profissional lembra que “o término do tratamento não significa o fim dos cuidados nutricionais". Andreia ainda está em tratamento e afirma que as orientações recebidas seguem presentes na rotina. "E aqui entra a alimentação, que além de nutrir, também é um conforto e muitas vezes faz com que a gente faça com calma aquela refeição que antes era tão rápida, escolha o melhor alimento que vai oferecer o melhor nutriente e também ver nele memórias afetivas que muitas vezes no dia a dia a gente esquece de sentir o cheiro, de recordar aquele alimento que um dia foi símbolo de cuidado e carinho de alguém", conclui.

Alimentação também integra a prevenção

Além da assistência ao paciente oncológico, a nutrição também está relacionada à prevenção. Segundo Rafaela, hábitos alimentares influenciam o risco de desenvolvimento de diversos tipos de câncer. As orientações incluem priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, aumentar o consumo de frutas, verduras, legumes, feijões e cereais integrais, limitar alimentos ultraprocessados, carnes processadas e bebidas alcoólicas, além da prática regular de atividade física e da manutenção de um peso corporal adequado.

"A prevenção do câncer está diretamente relacionada a um estilo de vida saudável como um todo, por isso, a nutrição tem o papel de trabalhar com a prevenção do câncer também e melhora da qualidade de vida da população geral", pontua a nutricionista.

Para Rafaela, o cuidado nutricional deve estar presente em todas as fases da assistência ao paciente oncológico. "A nutrição deve ser vista como parte integrante do tratamento oncológico, e não como um cuidado complementar", frisa.

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