21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Cultura

Autor de Marcelino Ramos retrata envelhecimento com ironia em livro

"Ninguém solta a alça do caixão de ninguém", de Sérgio Riede, retrata inquietações sobre as relações humanas com referências a Luis Fernando Verissimo, Fernanda Torres e Vinícius de Moraes

teste
Finitude, morte e amizade são alguns dos dilemas que perpassam as 206 páginas do livro de Sérgio Rie
Por Redação
Foto Divulgação

A morte de um dos integrantes de um grupo de amigos altera a rotina no Bar do Susso, onde eles se encontravam religiosamente. Como o falecido era português e não tinha parentes no Brasil, a turma decidiu organizar o velório e passar a madrugada no salão paroquial. O tempo frio e a escassez de piadas ao longo das horas fizeram com que alguém sugerisse uma bebida para esquentar a noite. No fim, acabaram todos no bar (inclusive o morto) envoltos por lembranças das histórias engraçadas, até que um soltou: Ninguém solta a alça do caixão de ninguém.

Finitude, morte e amizade

Esta história real vivida pelo pai do escritor, jornalista e bancário aposentado Sergio Riede, natural de Marcelino Ramos, inspirou o texto que intitula seu novo livro. Também autor de “Câncer, eu? Memórias alegres de um medo profundo” (2020), no qual detalha as vivências durante o diagnóstico de câncer de próstata, ele desenvolveu a produção literária com crônicas produzidas entre 2024 e 2025. Finitude, morte e amizade são alguns dos dilemas que perpassam as 206 páginas.

Concurso Boleiros, do Selo Off Flip 2026

Seis textos que integram “Ninguém solta a alça do caixão de ninguém” ou “Câncer, eu?” estão entre os vencedores do concurso Boleiros, do Selo Off Flip 2026, ligado à Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), nas categorias Contos e Crônicas. Outras duas produções do autor estarão na antologia “Guerra e Paz”, organizada pelo mesmo selo, com lançamento durante evento em julho no centro histórico de Paraty.

Sagacidade e miscelânea de assuntos

As narrativas da obra têm um ponto em comum: todas começam com um pensamento do escritor e desenhista Millôr Fernandes (1923 - 2012). A partir das ideias do seu inspirador, Sergio elabora com sagacidade considerações sobre uma miscelânea de assuntos. Relacionamentos com Inteligência Artificial, sucesso do cinema nacional, conquistas da seleção feminina de futebol e efeitos do tempo nas pessoas constroem narrativas que também mencionam os nomes de Luis Fernando Verissimo, Rubem Braga, Fernando Sabino, Paulo Freire e Ney Matogrosso.

Soberania e autodeterminação

Enquanto a utopia não floresce, cabe a pergunta: seria algum absurdo desejar que cada país trabalhe com soberania e autodeterminação, decidindo livremente sobre seu próprio destino, respeitando a dignidade humana e cuidando adequadamente do planeta que todos habitamos? (Ninguém solta a alça do caixão de ninguém, p. 64)

Estudo do envelhecimento

Em "Gerontolescência uma ova!", o autor apresenta um termo que combina "gerontologia" estudo do envelhecimento), com adolescência, para discutir novas perspectivas sobre a vida após os 55 anos, pois, como disse Millôr, “quem mata o tempo não é um assassino, mas um suicida”.

Aguçar a reflexão dos leitores

Já em "Imagine", trocadilho com a música de John Lennon, o exercício é imaginar o que aconteceria se um presidente do Brasil colocasse em prática algumas das atitudes polêmicas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. "Procuro aguçar a reflexão dos leitores, abordando temas políticos e pessoais de uma perspectiva inovadora e bem-humorada", explica.  

O tempo como aliado

Prestes a completar 70 anos, Sergio Riede utiliza o tempo como aliado para provocar questionamentos sobre amor, política e arte com leveza e um toque de ironia. Com observações do cotidiano e inquietações sobre as relações humanas, as histórias ganham dimensões coletivas e reverberam em contemplações sobre experiências que podem atravessar qualquer leitor.

Leia também

Publicidade

Blog dos Colunistas

;