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Rural

Leite do Alto Uruguai leva marca de multinacional

Contrato permite que grupo de produtores tenha venda garantida com preço de referência¶

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Central tem 601 associados
Por Rosa Liberman - rosa@jornalbomdia.com.br
Foto Divulgação

Todo leite produzido pelos associados da Central Agricoop (Cooperativa Central Agrofamiliar) é comercializado para a multinacional francesa Lactalis. Um contrato firmado em 2015 - com duração de cinco anos - permite a venda da produção com preços lineados pelo Conseleite (Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Estado do RS) fator que beneficia os produtores associados, com venda garantida e com preços de referência. O produto do Alto Uruguai é comercializado em todo o Estado. Além disso, a Central Agricoop também presta serviços, recebendo todo leite do Norte do RS da Lactalis, que é resfriado e posteriormente - grande parte da matéria prima é direcionada para o município de Teutônia.

A multinacional recentemente anunciou um investimento nas unidades da BRF (Antiga Brasil Foods S.A. - conglomerado brasileiro do ramo alimentício, que surgiu através da fusão das ações da Sadia S.A. ao capital social da Perdigão S.A.) do Estado de R$ 100 milhões. Apesar de não atingir a região, esses recursos vão beneficiar a cadeia leiteira do Estado, com melhorias nas unidades e fomentando a produção. Indiretamente, é uma ferramenta que garante a comercialização do produto de 601 produtores da região. ¶

A multinacional francesa Lactalis é uma empresa de capital fechado, que se tornou o maior grupo de laticínios do mundo através de uma agressiva política de aquisições. É proprietária de marcas como Sorrento, Société, Bridel e President. Com a compra de grande parte dos ativos da LBR Lácteos Brasil e da divisão de lácteos da BRF, se tornará provavelmente a maior captadora do leite do Brasil.

O sistema de três cooperativas Coperal, Agricoop e Copaal de Aratiba, formam a Central Agricoop. Com atuação em 28 municípios da região, a Central tem captação em 601 produtores de leite associados às cooperativas. A produção média é 2.515 milhões de litros por mês. No Alto Uruguai, a produção média é de 300.700 milhões de litros por ano.¶

Atualmente ela atua no fomento da produção de leite. Mas ela já passou por grandes mudanças. Conforme o presidente da Central, Mário Farina, ela é a continuidade da Corlac (Companhia Riograndense de Laticínios e Correlatos). Em 2008 deixou de atuar no mercado de industrialização e comercialização do leite. "Na época, havia parceria com a Bom Gosto. E continuou atuando na produção e comercializando do leite de forma unificada. A partir de 2014, início de 2015, ela assumiu a indústria da LBR, antiga Bom Gosto em Gaurama, adquirida por R$ 6 milhões. Adquirimos a indústria através do processo de recuperação judicial".

No momento em que LBR entra em recuperação judicial e a Agricoop era fornecedora de leite para a LBR, a qual passou a atrasar os pagamentos, quando então a Central entrou no processo e ofertou o valor e a proposta foi a vencedora e então adquiriu a unidade de Gaurama. A partir daquele momento estabeleceu parcerias.

"A atividade leiteira passou por uma transformação grande nos últimos anos e comercializávamos produto com a marca Corlac. A partir de 2008 firmamos parceria com a Bom Gosto, mas em 2013 ela entrou em recuperação judicial. E tivemos dificuldades de valores da matéria prima. Mas recuperamos estes valores através da aquisição da unidade industrial quando ela foi colocada à venda. Entendemos que o fato de termos adquirido a unidade industrial, possibilitou avançar na parceria com a Lactalis. Porque na sua grande maioria as empresas têm uma atuação direta com o produtor. E o fato de termos a indústria, um trabalho de fomento, assistência técnica, possibilitou que firmássemos essa parceria, o que nos dá uma garantia de recebimento e de um preço de mercado pela matéria prima", diz.

Através do sistema foi possível organizar os produtores e a produção, com trabalho de fomento, relacionado a qualidade da matéria prima, com ganho de escala para que o produtor possa se viabilizar e ter uma melhor renda na propriedade.

O sistema Agricoop também tem iniciado um projeto na questão de outros produtos mesmo que insipiente, do feijão desde aquisição e beneficiamento embalagem com marca própria e comercialização no mercado institucional da merenda escolar como farinha de trigo e milho e mel.

 

 

 

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