Agosto sempre carregou uma fama peculiar. Batizado pelo imaginário popular como o "Mês do Cachorro Louco", tornou-se sinônimo de tensão, mudanças repentinas e acontecimentos imprevisíveis. Na política brasileira, a expressão parece encontrar terreno fértil justamente em ano eleitoral.
Em 2026, agosto chega como o mês em que as convenções partidárias dão lugar à campanha propriamente dita. As alianças deixam de ser especulação para virar realidade. Os discursos ganham intensidade, as agendas se multiplicam, as pesquisas passam a ser analisadas com lupa e cada movimento pode alterar o rumo da disputa.
É também o período em que muitos candidatos descobrem que nem sempre o apoio prometido se confirma. Alguns aliados desaparecem, outros surgem de última hora. Há quem troque de estratégia, quem endureça o discurso e quem aposte em uma guinada para tentar recuperar espaço. O jogo político acelera.
O chamado "Mês do Cachorro Louco" também costuma ser o período das narrativas. É quando os marqueteiros assumem protagonismo, as redes sociais fervilham, os adversários intensificam os ataques e as equipes trabalham praticamente sem descanso. Na política, agosto é o mês em que a temperatura sobe antes mesmo da primavera.
Mas há uma diferença importante entre a superstição e a democracia. Enquanto o velho ditado sugere caos, a eleição exige serenidade do eleitor. Em meio ao bombardeio de promessas, vídeos, pesquisas e acusações, vale mais a análise dos projetos, da trajetória e da capacidade de governar do que o calor dos embates.
Se agosto é conhecido como o mês da inquietação, para a política ele representa o verdadeiro início da corrida. E, como em toda disputa eleitoral, quem conseguir manter a cabeça fria em meio ao "cachorro louco" poderá chegar mais forte à reta final de outubro.