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Política

“É necessário a união entre diferentes forças políticas para defender os interesses gaúchos em Brasília”

Zucco discorre sobre o que pretende fazer na infraestrutura, agro, saúde e segurança durante coletiva em Erechim

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Por Rodrigo Finardi
Foto Rodrigo Finardi

O candidato ao Governo do RS pelo PL, deputado federal Luciano Zucco, esteve em Erechim na tarde desta quarta-feira (26), acompanhado da candidata a vice-governadora, Silvana Covatti, do Progressistas. A comitiva participou de uma coletiva de imprensa na sede da Associação de Municípios do Alto Uruguai (AMAU), onde apresentou propostas para diferentes áreas e respondeu a questionamentos dos veículos de comunicação da região.

Entre os principais temas abordados estiveram infraestrutura, logística, saúde pública, desenvolvimento do agronegócio, situação fiscal do Estado, segurança pública e a relação do RS com o Governo Federal.

Infraestrutura como prioridade

Ao falar sobre as demandas do Alto Uruguai, Zucco afirmou que a infraestrutura será uma das prioridades de um eventual governo. Citou especificamente rodovias como a BR-153, RS-135 e RS-477 (todas na região), além dos gargalos relacionados aos pedágios.

Segundo o candidato, o modelo apresentado pelo atual governo para as concessões rodoviárias não seria adequado. Ele mencionou mais de 50 apontamentos feitos pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) e defendeu que os recursos previstos para as concessões sejam efetivamente aplicados na melhoria da malha rodoviária. “São cerca de um bilhão e meio por bloco”, afirmou, ao defender investimentos em duplicações, terceiras faixas, viadutos e sinalização.

Zucco também afirmou que pretende dar continuidade às obras que estiverem em andamento, mas destacou que a estratégia de desenvolvimento do Estado não pode ficar limitada à discussão da dívida pública.

Para o candidato, a retomada do crescimento econômico passa por uma combinação de infraestrutura, qualificação profissional e melhoria do ambiente de negócios: “Infelizmente, há mais de 20 anos, é o Estado que menos cresce entre todos os Estados da Federação”, pontou Zucco.

Infraestrutura e tecnologia no interior

Dentro da proposta de melhoria da economia regional, Zucco destacou a necessidade de aumentar a conectividade no meio rural e o acesso à energia trifásica. A intenção, segundo ele, é utilizar infraestrutura e tecnologia para potencializar especialmente o agronegócio.

O candidato também defendeu mudanças na relação do poder público com as empresas, com redução da burocracia e maior agilidade nos processos de licenciamento: “Nosso Estado hoje tem que trabalhar menos burocracia, facilitar os licenciamentos, mais rápidos, mais baratos, menos burocráticos”, disse.

Saúde e aposta na telessaúde

A saúde pública também esteve entre os assuntos abordados durante a coletiva. Zucco afirmou que a atenção primária deve ser uma das prioridades de um futuro governo estadual.

Na avaliação do candidato, os municípios possuem papel fundamental na estruturação dos serviços básicos de saúde, e uma parcela significativa dos atendimentos poderia ser resolvida na atenção primária.

Como uma das alternativas para reduzir deslocamentos de pacientes em busca de especialistas, citou a telessaúde. A proposta é conectar os profissionais que atuam nos postos de saúde aos médicos especialistas, permitindo que parte das avaliações e encaminhamentos seja realizada de forma remota. Segundo o candidato a medida poderia reduzir o deslocamento de moradores para outras regiões em busca de consultas especializadas, exames e procedimentos. “Temos vários moradores de Erechim rodando pelo Estado afora em busca de especialista ou de um exame específico ou de uma cirurgia. A gente vai trazer para os postos de saúde esse início de tratamento com os especialistas”, afirmou.

Relação com Brasília e renegociação da dívida

Questionado sobre como pretende investir em infraestrutura diante da situação financeira do RS e da dívida do Estado com a União, Zucco citou a necessidade de uma maior articulação política com o Governo Federal. Afirmou que a experiência acumulada em Brasília poderá ser utilizada para buscar recursos e negociar questões de interesse do Estado: “Grande parte das demandas do RS se resolve em Brasília”, afirmou.

O candidato citou como exemplos a necessidade de renegociação da dívida, a adesão ao Propag, a continuidade do Funrigs e a discussão sobre uma maior participação do Estado no Fundo de Participação dos Estados (FPE).

Falou da necessidade da criação de um fundo constitucional específico para o RS, a exemplo de mecanismos existentes em outras regiões do país: “a medida poderia representar um fôlego financeiro de aproximadamente R$ 4 bilhões.

Ao responder sobre investimentos e responsabilidade fiscal, Zucco afirmou ainda que pretende avaliar as obras necessárias e estabelecer prioridades de acordo com a importância estratégica para cada região.

Agronegócio e resiliência climática

Em uma região como o Alto Uruguai, onde a agricultura possui forte peso econômico, o agronegócio também foi tema da coletiva. Para ele é necessário a criação de uma política permanente de irrigação no Estado, argumentando que atualmente apenas uma pequena parcela das áreas de soja, milho e fumo conta com sistemas irrigados.

Para o candidato, a irrigação deve ser tratada como uma estratégia de longo prazo, especialmente diante dos impactos provocados por eventos climáticos extremos.

Criticou medidas adotadas pelo governo federal em relação ao setor agropecuário e afirmou que pretende atuar em prol dos produtores rurais gaúchos: “É necessário garantir condições para que os agricultores tenham capacidade de enfrentar as dificuldades financeiras provocadas por sucessivos eventos climáticos.

Segurança pública e avanço das facções

A segurança pública foi outro ponto abordado na coletiva. Questionado sobre a necessidade da melhora e aumento do sistema prisional e a demanda regional por um presídio, Zucco reconheceu avanços em algumas áreas da segurança, mas afirmou que o Estado enfrenta um problema grave com o crescimento das organizações criminosas: o Estado possui 15 facções criminosas e defendeu uma estratégia específica de enfrentamento às organizações.

Na avaliação do candidato, não basta aumentar o número de vagas no sistema prisional: “é necessário impedir que lideranças criminosas continuem comandando ações de dentro das unidades penitenciárias”. Citou como exemplos crimes como sequestros, homicídios e crimes virtuais que, segundo sua avaliação, podem ser coordenados a partir do sistema prisional.

Cobrança por transparência nas obras

Durante a coletiva mencionou a atuação da oposição na fiscalização do atual governo. Segundo ele, foram encaminhados mais de 30 pedidos de informação para obter dados sobre obras em andamento e a aplicação dos recursos públicos e parte dessas solicitações ainda não teria sido respondida.

A partir dessas informações, afirmou que uma eventual administração pretende avaliar as obras em andamento e definir quais empreendimentos deverão receber prioridade, levando em consideração a importância estratégica para cada região.

Apoio político como estratégia

Para o candidato, a capacidade de articulação política será determinante para que o RS consiga enfrentar questões como a dívida pública, buscar recursos para infraestrutura e viabilizar grandes projetos: “é necessário a união entre diferentes forças políticas para defender os interesses gaúchos em Brasília.

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