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Saúde

Deepfakes de saúde colocam pacientes idosos em risco

Vídeos falsos com médicos e celebridades prometem curas milagrosas levando usuários a abandonar tratamentos médicos

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IA facilita a rotina, mas deepfakes na saúde espalham falsas promessas e podem colocar tratamentos e
Por Assessoria de Comunicação
Foto Divulgação

A inteligência artificial (IA) trouxe praticidade ao cotidiano, mas também ampliou a produção de conteúdos falsos com aparência de realidade. Na saúde, deepfakes usam a imagem e a voz de profissionais e personalidades para divulgar informações sem comprovação, vender produtos e prometer curas rápidas.

O risco é maior quando envolve doenças crônicas, como diabetes, obesidade e problemas de tireoide. Ao acreditar em soluções milagrosas, pacientes podem abandonar tratamentos, atrasar diagnósticos ou consumir substâncias sem eficácia e segurança comprovadas.

Consequências podem ser graves

A interrupção de tratamentos pode provocar complicações importantes. No caso do diabetes, por exemplo, a suspensão de medicamentos pode levar a uma descompensação grave e exigir internação. Pessoas com diabetes tipo 1 que deixam de usar insulina podem desenvolver cetoacidose diabética, quadro que pode evoluir para coma e morte.

Também há riscos quando pessoas com obesidade substituem terapias comprovadas por produtos sem evidências de eficácia ou segurança. Nenhuma mudança de tratamento deve ser feita com base em vídeos encontrados nas redes sociais, mesmo quando o conteúdo parece autêntico.

Falsos conteúdos alcançam milhões

Algumas publicações mostram o alcance da desinformação. Um vídeo que recomendava suco de batata para gastrite ultrapassou 2,2 milhões de visualizações antes de ser retirado. Outro, que prometia “desentupir artérias” com receitas caseiras, chegou a mais de 2,6 milhões de visualizações e 60 mil compartilhamentos.

Uma análise da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) sobre quase 170 mil anúncios no Facebook e no Instagram identificou que mais de 76% eram enganosos. Entre os mais de 6 mil anúncios examinados individualmente, cerca de 5 mil estavam relacionados a golpes na área da saúde.

Idosos estão entre os mais vulneráveis

A dificuldade é maior entre pessoas idosas que ainda estão se adaptando ao ambiente digital. Embora utilizem celulares e redes sociais, parte desse público tem menos familiaridade para verificar a origem das informações e identificar manipulações. Em alguns casos, a pessoa acredita no conteúdo, compra o produto anunciado ou interrompe a medicação sem comunicar familiares ou profissionais de saúde.

A família pode ajudar acompanhando o uso da internet, explicando como identificar imagens e vídeos produzidos por IA e orientando sobre compras on-line. O diálogo é importante para evitar que a pessoa tome decisões de saúde baseada em conteúdos falsos.

Personalidades usadas em golpes

A imagem de personalidades conhecidas tem sido usada em diferentes fraudes. O médico Drauzio Varella foi associado, sem autorização, a anúncios de suplementos e supostos tratamentos para doenças graves, caso que chegou ao Ministério Público. Hélio Brasileiro também aparece em vídeos manipulados que prometem curas para diabetes, Alzheimer e doenças cardiovasculares. Em outros casos, Ratinho e o jornalista Nélson Araújo tiveram suas imagens alteradas por deepfakes para promover produtos que prometiam, respectivamente, recuperar a visão e combater o Alzheimer.

Como desconfiar

Um dos sinais possíveis de manipulação é a falta de sincronia entre a fala e os movimentos da boca, embora tecnologias atuais consigam produzir vídeos cada vez mais convincentes. Por isso, é fundamental conferir a informação em fontes médicas confiáveis.

Expressões como “cura garantida”, “resultado imediato”, “o médico não quer que você conheça” e “a indústria não deixa que você use” devem servir como alerta. Diante de qualquer dúvida, a orientação é procurar um profissional de saúde e jamais interromper ou alterar um tratamento por causa de um vídeo na internet.

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