A 26ª Exposição Nacional da Raça Boer ocorre durante a 49ª Expointer, no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio. Pela primeira vez, a mostra nacional da raça é realizada no Rio Grande do Sul. São 103 animais inscritos, dos quais 92 foram classificados para os julgamentos, com a participação de criadores de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
A programação de julgamentos ocorre nesta segunda-feira (31/8), na pista do Gado Leiteiro, com avaliação dos animais de acordo com as características da raça. Os resultados serão consolidados, e a premiação oficial, com a definição dos grandes campeões nacionais, do melhor bode e da melhor cabra, ocorre nesta terça-feira (1º/9).
Segundo o diretor técnico da Associação Brasileira de Criadores de Boer (ABCBoer), Clessio José Gomes Moreira, a exposição nacional é o principal evento da raça no país. A escolha do Rio Grande do Sul faz parte de uma estratégia de alternância da sede entre diferentes regiões.
“É uma edição significativa por ser a primeira vez que a exposição nacional é realizada na Expointer. A decisão de trazer o evento para cá busca valorizar a raça Boer em todo o território nacional, alternando a sede entre as regiões Nordeste, Centro e Sul a cada dois anos”, explica.
A concentração da criação de Boer no Nordeste é um dos fatores considerados para a escolha das sedes. Na edição do ano passado, realizada em Fortaleza, foram reunidos 408 animais. A distância dificulta a participação de criadores nordestinos em eventos realizados no Sul, enquanto a realização da exposição na Expointer amplia a presença da raça na região.
Expointer conta com 103 animais inscritos - Foto: Fernando Dias/Ascom SeapiCaracterísticas da raça
De origem sul-africana, a raça Boer está presente no Brasil há mais de 30 anos e é voltada à produção de carne. Durante a exposição, os animais são divididos em categorias conforme a faixa etária e avaliados individualmente e em conjuntos, progênies e linhagens.
De acordo com o diretor da ABCB e criador no Paraná, Samy Guimarães, o julgamento considera aspectos como conformação física, aprumo, movimentação, padronização das manchas e características raciais. Também é avaliada a condição corporal, especialmente o desenvolvimento da carcaça.
“A avaliação busca identificar os animais que apresentam as melhores características dentro do padrão racial e o melhor desenvolvimento de carcaça, considerando que o Boer é uma raça voltada à produção de carne”, afirma.
Ao todo, são cerca de 32 categorias entre machos e fêmeas. Para esta edição, a organização conta com um juiz sul-africano para conduzir os julgamentos.
Participação do Sul
A realização da Exposição Nacional na Expointer busca ampliar a visibilidade da raça na Região Sul. Segundo Guimarães, cerca de 90% dos criadores de Boer estão concentrados nas regiões Norte e Nordeste. O Sul representa menos de 10% do total de criadores. “A presença da exposição na feira contribui para aproximar criadores, ampliar a divulgação da raça e estimular a participação de produtores de diferentes regiões do país”, afirma Moreira.
Para o diretor da raça Boer no Sul do Brasil e criador da Cabanha Caragatto, Valdinei Peres, a realização desta exposição ocorre em um momento de crescimento da participação da caprinocultura na Expointer. Neste ano, as inscrições de caprinos aumentaram 16%, enquanto a raça Boer registrou crescimento de 56%, impulsionado pela realização da Nacional. “A Expointer coloca a caprinocultura de corte em contato direto com um público muito maior”, destaca.
Peres acredita que a exposição também evidencia o trabalho de seleção genética e o potencial produtivo da raça. “O Boer não pode ser visto apenas como um animal de pista. A pista mostra a genética; o verdadeiro objetivo é levar essa genética para dentro da propriedade e transformar qualidade em produtividade, carne e renda para o criador”, afirma. Segundo ele, o desafio é ampliar o número de criadores, profissionalizar a produção e desenvolver o mercado de carne caprina. “A Nacional na Expointer representa exatamente isso: genética, produção, mercado e futuro para a caprinocultura brasileira.”