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Política

A guerra dos “wind banners”. O candidato quer aparecer e o eleitor quer enxergar!

A legislação permite? Permite. Mas existe uma diferença enorme entre poder fazer e ser conveniente fazer

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Se para ganhar a eleição for preciso transformar Erechim em uma floresta de bandeiras, talvez alguém
Por Rodrigo Finardi
Foto Rodrigo Finardi

A campanha eleitoral está nas ruas e Erechim já está sendo tomada pelos wind banners. Em alguns pontos da cidade, parece que a eleição não será decidida pelo voto, mas pela quantidade de bandeiras que cada candidato conseguir fincar nos canteiros. A estratégia é simples, quanto mais bandeiras, mais visibilidade. Ou, pelo menos, essa deveria ser a lógica.

Efeito contrário

O problema é que, em alguns cruzamentos das principais avenidas, o excesso começa a produzir justamente o efeito contrário. Os wind banners formam verdadeiras barreiras visuais, restringindo a visão dos motoristas e criando obstáculos também para os pedestres.

Floresta de números eleitorais

A legislação permite? Permite. Mas existe uma diferença enorme entre poder fazer e ser conveniente fazer.

Quem está dirigindo precisa enxergar a rua, o cruzamento, o pedestre, a bicicleta, o outro veículo. Não precisa enxergar, a cada esquina, uma floresta de números eleitorais.

Irritação do eleitor

E existe ainda um ingrediente que os estrategistas de campanha talvez estejam esquecendo que é a irritação do eleitor.

Aquela bandeira que deveria lembrar o número do candidato pode acabar lembrando o eleitor de outra coisa, o susto que levou ao sair de um cruzamento sem conseguir enxergar direito o trânsito. A política tem dessas ironias. O candidato quer aparecer. O eleitor quer enxergar.

Situação curiosa

E, pelo que se observa em alguns pontos da cidade, a campanha está chegando a uma situação curiosa. Um candidato coloca uma bandeira; o adversário coloca duas. O primeiro responde com quatro e o segundo aumenta para oito. Tipo debate eleitoral com pergunta, resposta, réplica e tréplica.

Disputa por centímetros quadrados

Em vez de uma disputa de propostas, começa uma disputa de centímetros quadrados. No ritmo em que a coisa vai, daqui a pouco será preciso um wind banner para identificar onde termina um candidato e começa o outro.

Em nome da velha e conhecida guerra eleitoral pela visibilidade

Também os pedestres entram nessa conta. Os canteiros centrais, já disputados por diferentes usos, passam a receber estruturas que ocupam espaço e dificultam a circulação. Tudo em nome da velha e conhecida guerra eleitoral pela visibilidade.

Voto não se conquista escondendo o concorrente

Estamos diante de uma eleição ou de um campeonato de quem consegue esconder mais o adversário? Porque voto não se conquista escondendo o concorrente. Conquista-se convencendo o eleitor.

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