Os ventos de agosto bateram pesado, caro leitor/a? Então...
1. Trinta minutos de alongamento, lentamente: como quem faz Yoga.
2. Fazer um chimarrão topetudo com erva nova para sentir bem a sua fragrância. Oferecer uma cuia simbólica para Lao Tsé, esse avô ancestral, em uma montanha da mente: pedir que a simplicidade puxe um banco e vá sentando.
3. Achar aquele disco de vinil de capa verde da Guiomar Novaes tocando os "Noturnos" de Chopin, e pensar com leveza em reler “Clarissa”. Abrir uma página qualquer do Erico e deixar que suas palavras se misturem com as notas do piano no chão da sala.
4. Separar um livro para a cabeceira - não para terminar, cumprir ou vencer. Um livro sem hype, que ninguém está lendo, um livro do qual ninguém mais lembra. Uma leitura selvagem.
5. Dar uma espiada comprida no céu e reconhecer com Pema Chödrön que “este exato momento é o mestre perfeito”.
6. Ter em mente que queremos ser livres mas a necessidade de limite e orientação que ecoa da infância não nos deixa nunca (e estranhamente isso não parece contraditório).
7. Tentar lembrar como era mesmo aquele poema do Carlos Nejar sobre o Bolívar que diz mais ou menos assim: “’Há o fogo das coisas que enterrei'. Enterramos juntos, Simón, com 'las cosas que no se resuelvem.'”
8. Retornar "resiliencialmente" à escala da tribo (obrigado, Nenung). Ouvir tambores, percussões profundas.
9. Procurar buscar uma memória longínqua, real ou inventada (ou os dois), do lugar em que nascemos. Torná-la o mais nítida possível. Se não der, recolher-se à batida do coração, que é a mesma coisa.
10. Ponderar, com Jorge Luís Borges, que a miríade de narrativas que a arte e o engenho humano criaram talvez se reduza a só quatro: toda história é sempre a história de um retorno para o lar; a de uma busca; a de uma cidade sitiada; ou a de um deus sacrificado. Ou combinações, pode testar...
11. Saber que em boa medida colheu-se o que se plantou, colhe-se o que se planta. E continuar treinando para (um dia) "poder sair sem tropeços no final da festa".
12. Lembrar, com o Sábio Merlin, que “morrer é haver nascido”.