Faltam duas semanas para 4 de outubro. A eleição entra naquele período em que cada dia parece valer por uma semana, cada pesquisa vira assunto de conversa e cada declaração pode ganhar uma dimensão que ninguém imaginava algumas horas antes.
A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão termina em 1º de outubro. Até lá, candidatos terão pouco tempo para apresentar aquilo que ainda não conseguiram dizer. É hora de buscar transformar intenção em voto. É o sprint final e me faz lembrar daquele ditado em que “boi lerdo, bebe água suja”
Propostas devem ganhar objetividade. Não haverá mais espaço para programas de governo apresentados em capítulos intermináveis. O eleitor tende a querer saber algo mais simples. O que será feito, como será feito e de onde virá o dinheiro. Promessas genéricas podem perder espaço para compromissos mais concretos, especialmente em temas que mexem diretamente com o cotidiano do cidadão como a saúde, segurança, emprego, impostos, infraestrutura, educação e custo de vida.
Mas campanha eleitoral também tem outro combustível, que é o ataque. E, na reta final, a temperatura costuma subir. Adversários passam a vasculhar declarações antigas, votações, contratos, alianças, patrimônio, decisões administrativas e episódios da trajetória política de cada concorrente. O passado volta ao presente, e aquilo que durante meses parecia secundário pode ocupar o centro do debate em questão de horas.
Ataque político não é necessariamente informação falsa. Crítica faz parte da democracia. O problema começa quando a disputa abandona fatos verificáveis e passa a trabalhar com boatos, manipulações, conteúdos fora de contexto ou acusações sem comprovação.
O próprio Tribunal Superior Eleitoral alerta que críticas e manifestações são permitidas, mas existem limites legais para ofensas à honra e para a divulgação de fatos sabidamente inverídicos. A Justiça Eleitoral também mantém canais específicos para denúncias de propaganda irregular e desinformação.
Nas redes sociais, o cuidado terá de ser redobrado. Um vídeo de 30 segundos pode produzir mais estrago e impacto, do que uma hora de discurso. Uma frase retirada do contexto pode virar munição.
E haverá ainda o eleitor indeciso. O personagem mais disputado destas duas semanas, principalmente na corrida ao legislativo (Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa).
É para ele que as campanhas deverão olhar nos próximos dias. Não necessariamente para quem já está convencido, mas para quem ainda compara nomes, propostas, histórias e, sobretudo, confiança.
O sprint final não deveria ser uma corrida para desconstruir adversários. Deveria ser o momento de explicar melhor o que cada candidatura pretende fazer quando a campanha acabar. O 4 de outubro não será o fim da política. Será o começo da cobrança.
E o eleitor, esse sim, terá a última palavra.