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Ensino

Pesquisa científica mobiliza estudantes do Colégio Marista Medianeira

Trabalhos desenvolvidos do 6º ano ao Ensino Médio mostram como o conjunto de pesquisa, análise e apresentação fazem parte da formação dos alunos

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A Mostra de Iniciação Científica, aconteceu nos dias 25 e 26 e contou com 146 trabalhos de estudante
A Mostra de Iniciação Científica, aconteceu nos dias 25 e 26 e contou com 146 trabalhos de estudante
A Mostra de Iniciação Científica, aconteceu nos dias 25 e 26 e contou com 146 trabalhos de estudante
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Marcelo V. Chinazzo

O Colégio Marista Nossa Senhora Medianeira realizou, nos dias 25 e 26 de setembro, a Mostra de Iniciação Científica, com a apresentação de 146 trabalhos produzidos por estudantes do 6º ano do Ensino Fundamental à 3ª série do Ensino Médio. No primeiro dia, os projetos foram apresentados à comunidade escolar para avaliação. No sábado, a programação foi aberta a pais, familiares e demais visitantes.

A preparação começa no início do ano letivo. Em fevereiro, os estudantes formam grupos de um a quatro integrantes e escolhem os temas que serão pesquisados. Cada grupo recebe um professor orientador, que acompanha o desenvolvimento do projeto durante o ano.

“No 1º semestre, a construção de um pré-projeto e esse pré-projeto é apresentado por uma banca de professores que vão avaliar, sugerir o trabalho. No 2º semestre, eles realmente executam esse trabalho, então, eles fazem um artigo e aí sim apresentam os resultados dessa caminhada anual na mostra de iniciação científica”, explica Gabriela Kubiak, coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental dos Anos Finais e do Ensino Médio.

Os projetos passam por dois momentos de avaliação. Em junho, os estudantes apresentam o pré-projeto a uma banca, que analisa a pesquisa e sugere mudanças. Na segunda etapa, os grupos entregam o artigo científico e apresentam os resultados na Mostra.

Todas as áreas do conhecimento podem participar. Os alunos também podem escolher um novo tema a cada ano ou dar continuidade a uma pesquisa anterior, aprofundando o assunto.

Formação para além da sala de aula

Para a escola, a iniciação científica está ligada ao desenvolvimento da capacidade de pesquisar, analisar informações e construir conhecimento.

“A iniciação científica para nós, ela é um dos pilares muito caros. A busca pelo conhecimento, a curiosidade que começa na educação infantil de uma forma, muito mais simples, ela vai incorporando. E a mostra de iniciação científica, ela permite que eles pesquisem, escrevam, relacionem, olhem ao redor”, afirma Gabriela.

Os projetos são introduzidos antes do 6º ano. Nos primeiros anos, as turmas desenvolvem pesquisas coletivas. No 4º e no 5º ano, os estudantes passam a trabalhar com temas específicos e aprendem procedimentos básicos de pesquisa. A partir do 6º ano, começam a elaborar pré-projetos e a trabalhar com objetivos, justificativas e fontes.

A preocupação com a qualidade das informações também faz parte do processo. “Se a gente começa isso desde os pequeninhos, a gente também vai formar um cidadão que não vai acreditar em tudo que ouve, não vai acreditar em tudo que lê, ele vai buscar mais informações e vai tentar buscar sempre em fontes mais científicas, como artigos, revistas mais renomadas de pesquisa”, afirma Necleto Pansera Jr., professor de Física e organizador da Mostra.

Segundo ele, a proposta surgiu a partir da observação de mostras de ciências realizadas fora de Erechim. A experiência foi adaptada à escola e ampliada gradualmente para diferentes faixas etárias.

Os estudantes dos 5º anos não apresentam trabalhos na Mostra, mas participam de atividades de introdução à pesquisa. A apresentação formal começa no 6º ano e segue até o Ensino Médio.

O estudante como autor da pesquisa

Para a professora de Física Andréia Gorgeski, orientadora e avaliadora dos projetos, a proposta muda a relação do aluno com o conhecimento.

“Eu penso que iniciação científica é importante porque ela tira o aluno da posição de só escutar e aprender a matéria e o coloca como protagonista”, afirma.

A apresentação pública é uma das etapas desse processo. Os estudantes precisam explicar o que pesquisaram, responder aos questionamentos dos avaliadores e apresentar as conclusões — ou os limites — encontrados durante o trabalho.

A experiência também busca preparar os alunos para situações acadêmicas posteriores, como a elaboração de trabalhos conforme as normas da ABNT, leitura de artigos, construção de textos e apresentação oral.

Ex-alunos retornam como avaliadores

Entre os avaliadores externos estavam ex-alunos do colégio que hoje frequentam a universidade. Denis P. Petry participou da Mostra quando era estudante e retornou neste ano para avaliar os trabalhos. “Sem dúvida agregou para mim tanto nessa parte de trabalhos, quanto para desenvoltura, para a parte de ideia de como montar um trabalho”, relata.

Na graduação, ele voltou a encontrar práticas que havia aprendido na escola, especialmente na disciplina de Projeto Integrador. Denis também manteve vínculo com o colégio por meio de atividades como a PJM e a robótica, área na qual atualmente atua como mentor. “As relações e o carinho que eu tenho pelo lugar é o que me fazem voltar também”, afirma.

Maole O. Mach, também ex-aluna e avaliadora externa, aponta a apresentação oral como uma das experiências que levou para a universidade. “A gente chega na faculdade já tendo esse olhar e essa experiência de falar com os outros e explicar trabalhos”, diz.

Para Leticia Dysarz, outra ex-aluna que participou da avaliação, a experiência representa um primeiro contato com a produção científica. “Eu acho que na verdade é uma abertura para o mundo da ciência”, afirma. Ela também considera que a participação em projetos e mostras ainda no Ensino Médio pode ampliar as experiências acadêmicas dos estudantes. “É uma forma de se diferenciar ainda no ensino médio como estudante”, aponta.

Uma experiência que se repete entre gerações

Ao retornar à escola como avaliadora, Maole passou a acompanhar trabalhos de estudantes mais novos, entre eles o próprio irmão, aluno do 6º ano. “O que motiva é ver essa evolução da pesquisa surgindo desde ali da faixa dos 12 anos, mais ou menos”, comenta.

Leticia também relaciona o retorno à própria trajetória como estudante. “Ver a evolução e também é um momento de relembrar quando a gente estava naquela posição”, afirma.

A tecnologia é outra diferença percebida pelas ex-alunas. Maole observa que os estudantes passaram a utilizar ferramentas de inteligência artificial durante as pesquisas, principalmente para localizar referências, traduzir conteúdos e encontrar artigos. “Eles conseguem aproveitar a tecnologia e usar isso a favor deles”, avalia.

Três anos pesquisando neurologia

Entre os 146 projetos apresentados esteve o trabalho “Neuromarketing e produções midiáticas”, desenvolvido por Isabella Gregio Rossi, Laura Lessa, Manuela Paiz Sanches e Sofia Baldus Maroso, do 2º ano do Ensino Médio.

O grupo pesquisa temas relacionados à neurologia há três anos. No 9º ano, o projeto tratou da influência da música sobre a mente. No ano seguinte, as estudantes pesquisaram neuromodulação. Em 2026, escolheram o neuromarketing como objeto de estudo.

As quatro optaram por permanecer juntas mesmo com a possibilidade de mudar de grupo a cada ano. A intenção é continuar pesquisando assuntos relacionados à neurologia nas próximas etapas. A continuidade permitiu que as estudantes utilizassem conhecimentos adquiridos nos projetos anteriores para desenvolver novas pesquisas. Ao longo desse período, também passaram a trabalhar com maior familiaridade na busca e seleção de artigos científicos, na escrita e na apresentação dos resultados.

A prática acumulada desde o 6º ano também modificou a relação das alunas com a exposição oral. A experiência com apresentações ajudou no desenvolvimento da leitura, da escrita, da seleção de informações e da segurança para explicar os resultados das pesquisas.

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