21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Política

Pesquisa não vota

teste
1
Por Rodrigo Finardi
Foto Divulgação

Pesquisa eleitoral virou torcida organizada. Quando o número agrada, é “a pesquisa que mostra a realidade”. Quando contraria, vira “pesquisa comprada”.

Calma. Pesquisa não é apuração. É fotografia de um determinado momento. E fotografias podem mudar conforme o ângulo, a luz e o momento do clique.

Por isso institutos diferentes podem apresentar números diferentes. Amostras, datas, metodologia, regiões pesquisadas, perfil dos entrevistados e forma de abordagem fazem diferença.

Mas existe uma pergunta que não pode ser esquecida. Quem pagou a pesquisa?

Não significa que o contratante determine o resultado. Significa apenas que o eleitor tem o direito de saber quem bancou o levantamento. E também deve olhar a metodologia, a data da coleta, o tamanho da amostra e a margem de erro.

Pesquisa registrada não é pesquisa carimbada como verdadeira pelo TSE. O registro dá transparência às informações do levantamento, mas não transforma percentual em verdade absoluta.

Pesquisa não apenas mede o eleitor. Ela também pode mexer com o eleitor.

Quem aparece na frente pode ganhar voto útil. Quem aparece atrás pode provocar reação. Quem vê seu candidato despencando pode desistir. Quem o vê crescendo pode se animar.

Por isso, pesquisa também é informação que entra na disputa eleitoral. E aí mora o perigo da manchete mal-intencionada.

Uma diferença dentro da margem de erro vira “liderança isolada”. Uma oscilação vira “disparada”. Uma fotografia vira filme. E um número vira narrativa.

Então, em quem acreditar? Em nenhum número isoladamente.

A resposta responsável não pode ser uma acusação genérica. Existem pesquisas sérias, institutos com histórico, profissionais habilitados e regras de transparência. Também existem levantamentos que precisam ser examinados com lupa. E vale repetir, que o fato de uma pesquisa estar registrada não significa que o TSE tenha certificado previamente o resultado. A própria Justiça Eleitoral deixa claro que não faz controle prévio sobre o conteúdo dos resultados.

Compare pesquisas. Veja datas. Leia metodologia. Confira quem contratou. Observe a margem de erro. E, principalmente, desconfie da pesquisa que parece boa demais para ser verdade, especialmente quando ela confirma exatamente aquilo que você queria ouvir.

No fim, pesquisa pode indicar tendência, ajudar a entender o cenário e até incomodar. Mas não coloca voto na urna.

Quem pesquisa mede. Quem divulga interpreta. Quem vota decide.

E entre o percentual publicado hoje e o resultado da urna existe uma coisa que nenhum instituto consegue entrevistar que é o eleitor sozinho, diante da urna e com a própria consciência. Esse é o voto que conta.

 

Publicidade

Blog dos Colunistas

;