Escala 5x2 pode ser vista como uma conquista para a qualidade de vida dos trabalhadores.
Mas, para as empresas, vem acompanhada de um desafio: produzir o mesmo (ou mais) com menos horas disponíveis.
E aqui começa a conversa que todo empresário deveria ter agora.
Primeiro, precisamos atacar a tal produtividade.
Produtividade é a relação entre OUTPUT e INPUT: quanto entregamos em relação aos recursos utilizados.
Se uma fábrica produz 1.000 peças em 100 horas, são 10 peças por hora. Se passar a produzir 1.100 nas mesmas 100 horas, a produtividade cresceu 10%.
Simples? Na matemática, sim. Na gestão, exige método.
Segundo a CNI, a produtividade do trabalho na indústria de transformação caiu 0,8% em 2024, acumulando queda de 9% em relação a 2019.
Estamos diante de uma mudança na jornada justamente quando precisamos recuperar eficiência, em um ambiente de juros elevados e carga tributária que também pressionam a competitividade.
Mas há caminhos comprovados para melhorar.
A OCDE mostra que a digitalização pode gerar ganhos relevantes, mas não faz milagres sozinha.
Tecnologia precisa vir acompanhada de boas práticas de gestão, qualificação das equipes e redesenho dos processos.
O que precisamos fazer agora?
Eliminar desperdícios, retrabalho, esperas, burocracia e reuniões improdutivas.
Redesenhar processos, simplificar fluxos e automatizar tarefas repetitivas.
Digitalizar com inteligência, usar sistemas integrados, dados e IA para reduzir custos e acelerar decisões.
Desenvolver líderes e equipes, treinamento, autonomia e metas claras.
Melhorar a gestão comercial, com menos descontos e maior margem por venda.
Reorganizar operações e escalas, identificar gargalos, dimensionar equipes e produzir melhor com menos horas.
E os preços?
Parte dos custos precisa ser repassada aos clientes.
Mas repassar tudo pode significar perder mercado.
Absorver tudo pode destruir margens.
A saída inteligente combina produtividade, revisão de custos, melhoria de margens e reajustes seletivos.
Reduzir de 44 para 40 horas significa 9,1% menos horas disponíveis. Mantido o salário, o custo por hora sobe 10%, antes de outros efeitos. Isso não significa que toda empresa terá aumento de 10% a 15% na folha.
Minha provocação aos empresários e Conselhos:
Implantem um programa de produtividade de 90 dias, meçam resultados, identifiquem os três maiores gargalos, testem melhorias e comprovem os ganhos.
A produtividade não nasce de uma palestra motivacional nem de cobrar mais do time.
Nasce de processos melhores, tecnologia bem aplicada, competências, liderança e gestão disciplinada.
Na rabeira de tudo, temos três alternativas: aumentar o OUTPUT, otimizar o INPUT ou aceitar a redução da margem.
Não basta trabalhar menos horas.
Precisamos fazer cada hora valer mais.
Como sempre, o resultado nunca vem de um único caminho.