Para impulsionar a produção e recuperar o crescimento, o governo anunciou medidas de estímulo ao crédito que injetarão R$ 83 bilhões na economia. A medida que, segundo o governo, terá mais impacto sobre a economia é a agilização da aplicação dos recursos do Fundo de Infraestrutura do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS) em empreendimentos da área e a simplificação da emissão de debêntures de infraestrutura, que liberará até R$ 22 bilhões. Essa medida, no entanto, necessita de aprovação do Congresso Nacional.
Em segundo lugar, está a autorização para que parte da multa rescisória do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), paga em demissões sem justa causa, possa ser usada como garantia para o crédito consignado com desconto das parcelas diretamente no salário por trabalhadores do setor privado. A expectativa do governo é que a medida resulte na injeção de R$ 17 bilhões em crédito. Em seguida, vem a abertura da linha de crédito para refinanciar as prestações do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) e do Programa de Financiamento de Máquinas e Equipamentos (Finame), que deverá resultar em empréstimos de R$ 15 bilhões.O governo também anunciou o reforço da concessão de crédito por bancos públicos com taxas menores que as de mercado. Os principais setores beneficiados serão as micro e pequenas empresas, a construção civil, os exportadores e o agronegócio.
A retomada da linha de pré-custeio agrícola do Banco do Brasil deverá injetar mais R$ 10 bilhões e a aplicação de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em Certificados de Recebíveis Imobiliários, deverá impulsionar o crédito habitacional também em R$ 10 bilhões.A reabertura da linha do BNDES para financiar capital de giro de empresas com garantia do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI) e com redução das taxas de juros deverá resultar na liberação de mais R$ 5 bilhões. Por fim, o aumento do prazo máximo de pagamento e a redução da taxa de juros da linha de pré-embarque de produtos exportados injetará R$ 4 bilhões.
Lideranças de Erechim e região divergem sobre eficácia das medidas
Wolmir Badalotti - Presidente da Rede Metal Mecânica
"O empréstimo conignado é uma medida emergencial que não tem uma força para retomar a nossa economia. Eu entendo que é uma medida que o governo está tomando em um momento desesperador. Acredito também que este crédito que se diz estar disponível, não vai ser de fácil acesso, tanto para financiamento de empresas como para habitação, ou em qualquer das áreas para qual o crédito foi destinado. Eu entendo que a solução não é conceder um empréstimo para o trabalhador, mas sim oportunizar que ele consiga uma vaga de trabalho e uma fonte de renda. Eu acredito que o crescimento econômico depende da credibilidade dos investidores. Vai ter que haver um restabelecimento das medidas principalmente dos desajustes políticos que estão ocorrendo no país para que os investidores voltem a retomar uma trajetória de crescimento. Não adianta o governo dizer que vai colocar R$ 83 bilhões na economia se não passar credibilidade para os investidores.
Gilmar Cavaletti - Presidente do Sinduscon
Esta medida é uma piada de mau gosto e mais uma tremenda mentira. Ninguém, em sã consciência, vai investir e pegar dinheiro novo num momento recessivo como este, com milhões de desempregados e empresas fechando a cada minuto. Se uma empresa já está com dificuldades de cumprir com seus compromissos, qual é o banco que vai emprestar ainda mais? Se não tem comprador, não vai ter venda. O que o governo deveria fazer é acabar com o programa Mais Médicos, que não resolveu a situação da saúde e foi uma bandeira na campanha da reeleição. Injetar estes valores nos hospitais que precisam de leitos, e não de médicos, seria uma solução mais viável. Acabar com a farra de distribuição de dinheiro para ONGs, que também em nada ajuda este país. Reduzir salários dos deputados e senadores pela metade. Acabar com os cargos de confiança, inclusive acabar com os assessores dos deputados, transferindo estes valores em diminuição de impostos, e não de aumento. Reduzir o número de ministérios para no máximo 13, sem realocar para outros remanescentes. Demitir no serviço público e não só o privado ficar com o ônus da crise. Acabar com a cobrança compulsória do imposto sindical para deixar estes valores no bolso dos funcionários e não dos sindicatos.Outras medidas podem ser implementadas, mas precisa de vontade política, fato que não existe neste governo.Com estas medidas pontuais não precisa de nenhum imposto novo. Só assim a moral e a credibilidade dos brasileiros começará a mudar.
Edgar Marmentini - Secretário de Desenvolvimento Econômico
"O anúncio que se refere a abertura de linhas de crédito é visto de forma bastante positiva, principalmente pelo estímulo ao nível de atividade econômica do país, buscando aliviar o impacto causado pelo período de crise vivenciado. Em Erechim não é diferente. A abertura de linhas de crédito pode alavancar a economia em diversos aspectos. Como são recursos em várias áreas como safra agrícola, capital de giro para os micro e pequenos empreendedores, exportações, operações de infraestrutura, FGSTS no crédito e que já estão no mercado financeiro (bancos públicos e FGTS), acredito que não coloquem em risco o combate à inflação e podem vir a gerar oportunidades de crescimento para as pessoas, empresas e, consequentemente a retomada do desenvolvimento econômico".
Altemir Tortelli - deputado estadual
As medidas anunciadas na última quinta-feira (28) pelo Governo Federal para impulsionar a produção e recuperar o crescimento do País foram saudadas pelo deputado estadual Altemir Tortelli (PT). O parlamentar prevê que a liberação de novas linhas de crédito, que deverão injetar R$ 83 bilhões a mais na economia brasileira, reanima o setor econômico e poderá normalizar a oferta de crédito.
Vinculado ao setor da Agricultura Familiar, Tortelli afirma que haverá reflexos positivos para o setor primário e a região Norte do Estado, que tem sua base econômica na produção agropecuária. Conforme o deputado, as medidas que mais favorecem os produtores da região são a abertura da linha de crédito para refinanciar as prestações do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) e do Programa de Financiamento de Máquinas e Equipamentos (Finame), que deverá resultar em empréstimos de R$ 15 bilhões.
Altemir Tortelli também destaca que o governo anunciou o reforço da concessão de crédito por bancos públicos com taxas menores que as de mercado, beneficiando as micro e pequenas empresas, a construção civil, os exportadores e o agronegócio. Segundo ele, a retomada da linha de pré-custeio agrícola do Banco do Brasil, que deverá injetar mais R$ 10 bilhões, também deve ser reconhecida como um pauta positiva do Governo Dilma. "O Governo Federal compreende a necessidade da retomada do crescimento econômico e percebe que o desenvolvimento do setor rural é estratégico neste processo de recuperação", avalia o deputado estadual.