O feriado natalino acabou e o momento agora é de substituir os presentes que não serviram ou não agradaram
Seja por tamanho, cor, modelo ou defeito de fábrica, a semana após o Natal é marcada pela troca de presentes. Muitos erechinenses foram às ruas do comércio local, no último sábado (26) e durante o dia de ontem (28), para substituir mercadorias, trocar os vales-presente, comprar adereços atrasados e ainda aproveitar as promoções e liquidações da época.
Foi a caso da cabelereira Silvia Lagranha que presenteou as três filhas com roupas, porém como a numeração de uma delas não serviu, precisou retornar a loja ontem para permutar o produto. "Comprei roupas para presentear minhas filhas neste Natal, mas não acertei o número e precisei vir trocar", salienta. A telefonista Marize Hamester também precisou se deslocar a loja para substituir o presente. "Geralmente eu acerto no presente, tanto no gosto quanto no número, mas esse ano comprei o número de roupa errado e não serviu", pondera Marize.
Conforme a gerente de uma loja de Erechim, Cleusa Dutra, as trocas de presente são comuns no pós-feriado de Natal. "A última semana antes do feriado é de muito tumulto e as pessoas acabam comprando no impulso e depois se arrependem, então é um período caracterizado pelas permutas", explica.
Apesar de a troca de mercadorias não ser obrigatória –a menos que seja por defeito de fábrica- os lojistas geralmente trocam as peças para fidelizar os clientes. A vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Erechim, Lindanir Canelo, ressalta que o dialogo induz a soluções. “Os clientes que não se sentirem satisfeitos com os presentes devem ir direto às lojas para conversar e juntos buscarem uma solução”, diz.
“Saldão de fim de ano”
Mas nem todo mundo saiu de casa para realizar trocas de presentes. Como é o caso da técnica administrativa, Suzane Roani. Ela não teve nenhum problema com os adereços e aproveitou a manhã de ontem para conferir as promoções nas lojas. "Todos os presentes deram certo, vim conferir o preço de algumas promoções", pontua.
As liquidações, como as que Suzane foi conferir são tradicionais neste período do ano. Algumas lojas e redes já estão com produtos a preços de saldo e com condições especiais de pagamento. A vice-presidente da CDL pontua que os clientes aproveitem o período de descontos, já que “as promoções de fim ano, além de beneficiar os consumidores, ajudam a fomentar a economia local”.
Prazo para trocas
O consumidor deve ficar atento já que o prazo para solucionar o problema com alguma mercadoria é de até 30 dias da data da reclamação e o consumidor tem um prazo de até 90 dias da data da compra para reclamar, conforme os artigos 18 e 26 do Código de Defesa do Consumidor (CDC).
De acordo com o CDC, "nenhuma loja é obrigada a trocar uma mercadoria porque o cliente não gostou, o tamanho não serviu, a cor não agradou, ou porque o produto comprado (ou ganho), não era bem o que o consumidor queria. As trocas serão obrigatórias em caso de defeito do produto".
Natal com vendas que "poderiam ter sido melhor"
As vendas de Natal tiveram um decréscimo em relação aos outros anos, conforme os lojistas. Conforme Cleusa, o crescimento de vendas esse ano foi um pouco abaixo da média para o período do ano. "Temos um crescimento de 15% nesta época, esse ano o acréscimo nas vendas foi de 8%. Não foi ruim, mas dentro do cenário da empresa, poderia ter sido melhor".
Na loja da comerciaria Juceli Sfredo, as vendas de Natal ainda não foram contabilizadas, mas ela já adianta que foi possível notar uma queda nas vendas pelo movimento. O aumento da carga tributária - que integra o ajuste fiscal - foi um dos principais agravantes para o aumento dos preços, que foram repassados ao consumidor, respectivamente reduzindo o poder de compra, de acordo com a economista Rubiele Tartas.
Segundo Rubiele, "as vendas abaixo do que se observava em outros anos já era esperada, dada a recessão econômica que reduziu salários e gerou aumento nos preços. O orçamento familiar ficou apertado e gastos com presentes e ceia de natal não eram mais prioridade. Outro fator que contribuiu para gastos mais modestos foi a incerteza com o novo ano, o mercado prevê uma sinalização de que a economia estaria se recuperando, mas prevenção nunca é demais, então as famílias acabam controlando seus gastos por não saberem o que os espera no próximo ano".