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Opinião

Voz da discórdia

teste
Clovis Lumertz
Por Clóvis Lumertz – Empresário
Foto Clóvis Lumertz

Pergunta de um postulante à carreira de Conselheiro:

“Mestre, qual é o papel central? Apoiar ou questionar?”

Respondo do meu jeito:

— Às vezes sou voz dissonante no Conselho, para o mais ou para o menos, e sem problemas com isso.

Não tenho constrangimento com esse papel: há momentos para incentivar crescimento forte e ousadia; outros, para frear ímpetos e estabilizar processos. Mas nunca me furto a opinar, mesmo que seja em oposição. Entendo que a maioria das pessoas toma decisões importantes no mesmo estado que gerou o problema. Sem teste. Sem desafio deliberado. Sem alguém designado para encontrar falhas.

A neurociência explica que, quando há consenso rápido, o córtex pré-frontal entra em “viés de coerência” e para de buscar erros, executando cedo demais. Uma voz discordante reativa a análise, retoma a base crítica. Isso não é atraso nem covardia. Também não é risco desmedido. Stanford pesquisou e provou: grupos com alguém questionador cometeram 48% menos erros do que grupos em consenso natural.

Li que Bezos entendeu isso antes dos estudos. Exigiu memorandos de seis páginas argumentando contra a própria ideia. “Se você não consegue destruir sua ideia, alguém fará isso depois que o dinheiro já tiver sido gasto”. A taxa de falhas da Amazon caiu pela metade em três anos. O método filtra pensamento fraco e evita desistências futuras antes da execução.

A verdade? Decisões não falham por falta de inteligência. Falham porque não foram testadas por uma voz designada para encontrar erros. E essa voz necessita da independência do Conselheiro, mesmo que não seja uma voz aceita. Portanto, vai por mim: um “chato de plantão” é como aquele espelho do provador que mostra a “pura verdade” e identifica partes deselegantes da nossa imagem.

— Não concordo — disse o postulante.

— Exatamente assim! — completei.

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