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Política

O eleitor está de olho. E o recado é direto

Faltando um mês para as eleições de 4 de outubro, amostragem revela o que eleitores esperam daqueles que serão escolhidos nas urnas

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Por Rodrigo Finardi

Faltam 30 dias para a eleição. Mês para os candidatos convencerem o eleitor de que são merecedores do voto.

Neste momento da campanha, resolvi fazer uma experiência simples. Sem instituto de pesquisa, sem questionário sofisticado, sem pretensão de apresentar números científicos.

Peguei 100 contatos pessoais do WhatsApp, pessoas de diferentes perfis, de Erechim, da região, de Porto Alegre e também em outros estados. Apenas uma condição. Que não fossem pessoas ligadas a partidos políticos.

Uma única pergunta

Fiz uma única pergunta: “O que você espera dos eleitos em 4 de outubro? ”, sem oferecer opções. Recebi 61 respostas, das 100 mensagens enviadas. E o resultado é daqueles que deveriam fazer os candidatos parar, respirar e prestar atenção.

O eleitor não pediu o impossível. Pediu o básico.

35% querem honestidade e combate à corrupção

A resposta que disparou na frente foi honestidade e combate à corrupção, com 35%.

É um recado direto para quem pretende ocupar um cargo. O cidadão está cansado de ouvir falar em combate à corrupção durante a campanha e depois assistir a denúncias, privilégios, desperdício de dinheiro público e explicações que nunca convencem. O eleitor quer saber se aquele que receberá seu voto será capaz de resistir às tentações do

20% querem uma saúde pública melhor

A segunda maior preocupação é a saúde pública, com 20%. Aqui não existe ideologia.

Quando alguém precisa de uma consulta, de um exame, de uma cirurgia ou de atendimento médico, não quer saber de esquerda ou direita. Quer ser atendido e respeito. E principalmente que o sistema funcione.

A saúde é uma daquelas áreas em que o discurso político encontra a realidade na porta de um posto de atendimento. Por isso, os futuros eleitos terão uma cobrança permanente com menos fotografia de campanha e mais resultado na ponta.

19% querem juros menores. É o bolso falando

Quase empatada com a saúde aparece uma resposta que merece uma lupa, onde 19% querem que os eleitos trabalhem para baixar os juros. É o bolso falando.

Juro alto encarece financiamento, dificulta investimentos, aumenta o custo das empresas e aperta o orçamento das famílias. O empresário pensa duas vezes antes de investir. O consumidor pensa várias vezes antes de comprar.

Por isso, a economia nacional também entrou na lista de prioridades de quem respondeu à enquete.

É uma lembrança de que o deputado, senador ou governante eleito não pode olhar apenas para o próprio quintal.

11% pedem mais segurança

A segurança pública apareceu com 11%. Não é o maior percentual, mas ninguém pode ignorar uma preocupação que mexe diretamente com a liberdade das pessoas.

O cidadão quer andar na rua sem medo. Quer abrir seu comércio sem receio. Quer que seus filhos possam sair de casa. E principalmente voltar para casa em segurança.

15% deram outras respostas

Os outros 15% apresentaram respostas diversas. E isso também diz alguma coisa. O eleitor não tem uma única preocupação.

Quer emprego, educação, infraestrutura e desenvolvimento. Quer serviços públicos que funcionem, menos burocracia e mais oportunidades, e principalmente que o Estado entregue aquilo que cobra todos os dias.

Pequena amostragem do sentimento de pessoas comuns

Essa enquete mão mede intenção de voto, não tem amostragem científica e não pretende substituir os institutos especializados, mas tem seu valor.  É uma pequena fotografia do sentimento de pessoas comuns e sem vínculo partidário.  

 

Uma lista de dever de casa

O mais interessante desta amostragem é que o eleitor não coloca nomes na mesa, e sim valores e problemas. É quase uma lista de dever de casa para quem pretende ser eleito.

O problema é que, durante a campanha, todo mundo promete. Depois da eleição, começam as desculpas (não todos, é claro).

É aí que mora o perigo. O eleitor pode até esquecer o número do candidato que votou. Pode esquecer o slogan. Pode esquecer a música da campanha. Mas não deve esquecer aquilo que cobrou. E muito menos deixar que o eleito esqueça. A urna não é o ponto final. É só o começo.

 

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